Sérgio Ricardo rebate críticas e confronta Mauro Mendes sobre fiscalização da MT-170
Política POR: Redação
POSTADO EM: 22/06/2026
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, reagiu duramente às críticas feitas pelo ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e elevou o tom do embate envolvendo as fiscalizações nas obras da rodovia MT-170. Em resposta às declarações do ex-chefe do Executivo estadual, o conselheiro afirmou que Mauro deveria “ler a Constituição” antes de questionar a atuação do órgão de controle.
A crise começou após Mauro Mendes classificar como “papagaiada” e “evento midiático” as transmissões ao vivo realizadas por Sérgio Ricardo durante inspeções técnicas nas obras da MT-170. O ex-governador também argumentou que a postura do presidente do TCE poderia afrontar dispositivos da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), ao antecipar posicionamentos públicos sobre processos ainda em análise.
A resposta de Sérgio Ricardo veio em tom direto e sem tentativa de pacificação. O presidente do Tribunal sustentou que Mauro Mendes estaria equivocado ao comparar a atuação de conselheiros de contas com a de magistrados do Poder Judiciário. Segundo ele, a Constituição Federal garante ao TCE papel ativo na fiscalização e no controle externo da administração pública.
Durante entrevista à imprensa, Sérgio Ricardo afirmou que Mauro deveria consultar os artigos 70 e 71 da Constituição Federal para compreender as competências atribuídas aos tribunais de contas. O conselheiro reforçou que o órgão possui função fiscalizadora permanente e não depende de provocação judicial para atuar em possíveis irregularidades administrativas.
O presidente do TCE também rebateu o argumento de que as fiscalizações públicas poderiam gerar exposição desnecessária do governo estadual. Para ele, a presença do órgão de controle diretamente nos locais das obras faz parte das atribuições institucionais do tribunal e garante transparência à população sobre a aplicação dos recursos públicos.
O confronto é visto como mais um capítulo do desgaste crescente entre Mauro Mendes e Sérgio Ricardo. A relação entre os dois já vinha sendo marcada por divergências envolvendo obras estruturantes do Estado, especialmente após cobranças públicas do TCE relacionadas ao andamento do BRT em Cuiabá e Várzea Grande. Em ocasiões anteriores, Sérgio Ricardo chegou a afirmar que “ninguém mais tem paciência” com os atrasos do modal e cobrou mais rapidez do governo estadual.
O episódio envolvendo a MT-170 ampliou ainda mais a tensão institucional. A rodovia está entre as obras acompanhadas de perto pelo Tribunal de Contas após sucessivos problemas envolvendo execução contratual, atrasos e necessidade de substituição de empresas responsáveis pelos serviços.
Sérgio Ricardo também demonstrou irritação com a interpretação jurídica apresentada por Mauro Mendes e insinuou que o ex-governador recebeu orientações equivocadas de sua assessoria. Em tom irônico, afirmou que algumas pessoas deveriam “estudar” antes de tentar dar aulas de Direito sobre o funcionamento dos tribunais de contas.
Apesar da escalada do conflito, interlocutores políticos avaliam que o embate vai além da discussão técnica sobre fiscalização de obras. Nos bastidores, o confronto também é interpretado como uma disputa por espaço e influência política em um momento de forte antecipação das articulações para 2026.
Mauro Mendes já se movimenta como pré-candidato ao Senado, enquanto Sérgio Ricardo ampliou sua presença pública nos últimos meses ao intensificar fiscalizações presenciais e endurecer cobranças relacionadas a obras consideradas estratégicas para o Estado.
A tensão entre o ex-governador e o presidente do TCE expõe um ambiente cada vez mais sensível entre órgãos de controle e lideranças políticas em Mato Grosso. A avaliação interna no meio político é de que novos confrontos públicos ainda devem ocorrer à medida que avançam as discussões sobre obras, contratos e gestão estadual.
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