Camelôs rejeitam áreas vazias e pressionam Prefeitura por espaço no coração de Cuiabá
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 06/07/2026
A reorganização do comércio informal no Centro de Cuiabá voltou a provocar tensão entre vendedores ambulantes e a Prefeitura. Após a retirada das bancas instaladas em calçadas da Rua 13 de Junho, Avenida Isaac Póvoas e entorno da Praça Ipiranga, trabalhadores passaram a pressionar o município por um novo espaço que garanta circulação de pessoas e condições mínimas para manter as vendas.
A principal preocupação dos camelôs é econômica. Muitos afirmam que a mudança para locais considerados afastados ou com baixo fluxo pode comprometer diretamente a renda das famílias que dependem exclusivamente do comércio de rua. Nos bastidores, a avaliação entre os ambulantes é de que permanecer em pontos estratégicos do Centro é essencial para garantir sobrevivência financeira.
A Prefeitura iniciou nos últimos meses uma força-tarefa para desocupar calçadas e reorganizar o comércio informal na região central. A gestão do prefeito Abilio Brunini argumenta que a medida busca melhorar a mobilidade urbana, liberar espaços públicos e atender recomendações ligadas ao ordenamento da cidade.
Inicialmente, parte dos ambulantes seria transferida para o Shopping Orla, no bairro Porto. A proposta, porém, enfrentou forte resistência. Trabalhadores alegaram que o local possui circulação reduzida, dificuldade de acesso e pouca visibilidade comercial, fatores que poderiam provocar queda brusca no faturamento.
A insatisfação provocou protestos em frente ao Palácio Alencastro e mobilizou até a Defensoria Pública de Mato Grosso, que questionou judicialmente a operação de retirada dos vendedores das calçadas do Centro. O órgão argumentou que muitos comerciantes vivem em situação de vulnerabilidade social e dependem exclusivamente da atividade informal para sustento familiar.
Diante da pressão, a Prefeitura recuou parcialmente e definiu a Travessa Desembargador Lobo, nas proximidades da Praça Ipiranga, como espaço provisório para instalação dos ambulantes por um período experimental entre 30 e 60 dias. A alternativa foi construída após negociações entre representantes dos vendedores, vereadores e a administração municipal.
Mesmo com a mudança temporária, o clima ainda é de insegurança entre os trabalhadores. Muitos afirmam que o novo espaço ainda não possui o mesmo fluxo de consumidores registrado nas áreas tradicionais do Centro. A preocupação se concentra principalmente nas vendas de roupas, eletrônicos, acessórios e pequenos produtos de consumo rápido, que dependem diretamente do movimento intenso de pedestres.
A discussão também divide opiniões entre lojistas, consumidores e entidades comerciais. Representantes do comércio formal defendem a retirada das barracas das calçadas, alegando concorrência desleal, dificuldade de circulação e impactos negativos na experiência de compra da população. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) chegou a solicitar oficialmente à Prefeitura medidas para reorganizar o comércio informal na região central.
Por outro lado, ambulantes argumentam que a atividade representa a única fonte de renda de centenas de famílias e cobram soluções que conciliem organização urbana e manutenção da atividade econômica. Muitos defendem a criação de um espaço popular permanente no próprio Centro de Cuiabá, em área de grande circulação, evitando o esvaziamento das vendas.
A Prefeitura afirma que seguirá monitorando o novo modelo e não descarta ampliar a fiscalização para impedir o retorno de barracas às calçadas já desocupadas. A gestão municipal também avalia transformar o espaço provisório em uma área definitiva para o comércio popular caso a experiência apresente resultados positivos.
O debate sobre os ambulantes expõe um problema histórico da Capital: o desafio de equilibrar desenvolvimento urbano, ocupação ordenada dos espaços públicos e sobrevivência econômica de trabalhadores informais que há décadas fazem parte da paisagem do Centro de Cuiabá.
Baixada Cuiabana
Paula Calil diz que suspeitas contra vereadores são individuais e não representam Câmara de Cuiabá
Câmara de Cuiabá aguarda apuração do Gaeco após vereadores serem alvos de operação
Flávia Moretti deixa futuro de Ananias no PL nas mãos de Valdemar Costa Neto
PUBLICIDADE
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Qual a maior força de um homem?
Mauro Mendes entra na disputa por dois ministérios em eventual governo de Flávio Bolsonaro
Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea Grande
