Cuiabá, 2026-10-21T21:13:28

Pedro Taques enfrenta rejeição de aliados de Lula e impasse ameaça unidade da esquerda em Mato Grosso

Pedro Taques enfrenta rejeição de aliados de Lula e impasse ameaça unidade da esquerda em Mato GrossoPolítica

POR: Redação

POSTADO EM: 14/07/2026

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A construção da chapa da Federação Brasil da Esperança para as eleições de 2026 em Mato Grosso entrou em uma nova fase de tensão. A resistência ao nome do ex-governador Pedro Taques (PSB) para disputar uma vaga ao Senado aprofundou as divergências entre os partidos que integram a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado e colocou em xeque o discurso de unidade da esquerda para a disputa eleitoral.

O principal impasse envolve a composição da chapa majoritária da federação formada por PT, PV e PCdoB. Enquanto o senador Carlos Fávaro (PSD) segue consolidado como pré-candidato à reeleição, a indicação de Pedro Taques para ocupar a segunda vaga enfrenta forte oposição de lideranças do PV e do PCdoB, que se recusam a respaldar sua inclusão na nominata. Para esses partidos, o histórico político do ex-governador é incompatível com o projeto defendido pelos aliados do governo federal, especialmente em razão de sua posição durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

A discordância já provocou reflexos práticos dentro da federação. O PCdoB manteve a pré-candidatura da presidente estadual da legenda, Patrícia Nogueira, ao Senado, enquanto setores do PT continuam defendendo nomes alinhados ao projeto político nacional. O movimento evidencia que, mesmo com o calendário eleitoral avançando, ainda não existe consenso sobre quem representará o campo progressista na disputa pelas vagas ao Senado em Mato Grosso.

As dificuldades, entretanto, não se limitam à corrida pelo Senado. A definição da candidatura ao Governo do Estado também passou a gerar atritos entre os partidos. Embora a federação tenha oficializado apoio à médica Natasha Slhessarenko (PSB), o lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PSD) abriu uma nova frente de negociação. O PSD condiciona a permanência do projeto de Emanuel ao apoio da federação, enquanto dirigentes petistas reafirmam que Natasha continua sendo a única alternativa defendida pela legenda para encabeçar a disputa ao Palácio Paiaguás.

Outro fator que amplia a instabilidade é a posição do PDT. Depois de retirar a pré-candidatura do professor Caiubi Kuhn ao Governo, o partido declarou apoio a Natasha, mas deixou claro que pretende participar da chapa majoritária. A legenda reivindica espaço para lançar o advogado Diogo Botelho ao Senado e rejeita simplesmente referendar o nome de Pedro Taques. Caso não haja acordo, dirigentes admitem disputar o Senado com candidatura própria e até liberar os filiados para apoiarem diferentes candidatos ao governo estadual.

A resistência do PDT também tem origem na trajetória política de Pedro Taques. O ex-governador foi eleito senador e governador pela sigla antes de deixar o partido para ingressar no PSDB, decisão que ainda é lembrada por integrantes pedetistas como um rompimento que fragilizou a legenda em Mato Grosso. Esse histórico passou a pesar nas negociações atuais e tornou ainda mais difícil a construção de um consenso em torno de seu nome.

Com o avanço das articulações para as convenções partidárias, a esquerda mato-grossense enfrenta o desafio de conciliar interesses de diferentes legendas sem comprometer o projeto nacional de apoio ao presidente Lula. Enquanto isso, a indefinição sobre as candidaturas ao Senado e ao Governo mantém o cenário aberto e amplia a disputa interna por espaço político, em um momento decisivo para a formação das alianças que disputarão as eleições de 2026.

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