Cuiabá, 2026-10-21T21:15:01

Derrotado por Mauro, Jayme se emociona, critica convenção e fala em poder da máquina

Derrotado por Mauro, Jayme se emociona, critica convenção e fala em poder da máquinaPolítica

POR: Redação

POSTADO EM: 31/07/2026

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A derrota do senador Jayme Campos (União Brasil) na convenção estadual do partido, realizada nesta quinta-feira (30), provocou uma das cenas mais marcantes da pré-campanha de 2026 em Mato Grosso. Em um discurso emocionado, interrompido por lágrimas, o parlamentar afirmou que respeita o resultado da votação, mas disse que o processo foi marcado pela influência do “poder da máquina” e por uma condução que classificou como desigual, desonesta e sem transparência.

Jayme foi derrotado por 30 votos a 19 na disputa interna que definiria se o União Brasil teria candidatura própria ao Governo do Estado ou apoiaria a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Com a decisão dos convencionais, a legenda oficializou a aliança com o grupo governista liderado pelo ex-governador Mauro Mendes, encerrando meses de disputa interna e consolidando o projeto de continuidade da atual gestão.

A convenção ocorreu em Cuiabá sob forte clima de tensão entre os dois grupos que disputavam o comando político da legenda. Jayme chegou ao evento cercado por apoiadores, bandeiras, adesivos e até uma banda contratada para celebrar o que seus aliados consideravam uma vitória provável. No entanto, o resultado revelou a ampla maioria construída pelo grupo de Mauro Mendes dentro da estrutura partidária.

Após a apuração, o senador agradeceu aos convencionais, militantes e lideranças que permaneceram ao seu lado durante a disputa, fez um reconhecimento público ao deputado estadual Júlio Campos, seu irmão e principal articulador da pré-campanha, e afirmou que deixa a convenção “de cabeça erguida”, apesar do revés político.

Em tom de desabafo, Jayme declarou que jamais havia presenciado uma convenção conduzida de forma tão “draconiana, desigual e desonesta” ao longo de sua trajetória política. Segundo ele, a força do Estado e a influência da estrutura governamental pesaram de maneira decisiva sobre o resultado da votação interna.

Apesar das críticas, o senador afirmou que respeita a decisão da maioria dos convencionais e que continuará sua atuação política ao lado das lideranças que o acompanharam durante o processo. Questionado sobre a possibilidade de apoiar a candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo do Estado, evitou assumir qualquer compromisso e disse que ainda irá refletir sobre os próximos passos de seu grupo político.

O episódio representa um dos maiores reveses internos enfrentados por Jayme Campos nos últimos anos. Ex-governador de Mato Grosso, ex-prefeito de Várzea Grande e senador em segundo mandato, ele entrou na convenção como principal defensor da candidatura própria do União Brasil e buscava transformar a legenda em protagonista da disputa pelo Palácio Paiaguás.

Do outro lado, Mauro Mendes sustentava que manter a aliança com Pivetta era a alternativa mais coerente para preservar o projeto político iniciado em 2019 e fortalecer o bloco governista para as eleições de 2026. Após a vitória, o ex-governador negou qualquer irregularidade no processo, afirmou que toda a convenção seguiu rigorosamente o regulamento do partido e classificou as acusações de Jayme como infundadas.

A votação também expôs publicamente o racha interno do União Brasil e reposicionou o senador dentro do cenário eleitoral. Sem conseguir emplacar sua proposta de candidatura própria, Jayme sai da convenção enfraquecido no projeto majoritário da legenda e ainda sem definir qual papel desempenhará na disputa de 2026, enquanto Mauro Mendes amplia seu controle sobre o partido e fortalece a candidatura de Otaviano Pivetta ao Governo de Mato Grosso.

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