Cuiabá, 2026-10-27T04:54:55

Coronel Fernanda lidera gastos de campanha em MT com R$ 3 milhões; oito eleitos consumiram quase R$ 14 milhões

Coronel Fernanda lidera gastos de campanha em MT com R$ 3 milhões; oito eleitos consumiram quase R$ 14 milhõesPolítica

POR: Diego Vilani

POSTADO EM: 26/10/2026

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Deputada do PL foi a mais votada para a Câmara Federal e também registrou a campanha mais cara entre os eleitos; Juarez Costa teve o maior gasto proporcional por voto.

A deputada federal Coronel Fernanda (PL) liderou os gastos de campanha entre os oito candidatos eleitos para representar Mato Grosso na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Reeleita com 205.001 votos, a parlamentar declarou R$ 3.013.610,36 em despesas contratadas, o maior valor registrado entre os vencedores da disputa. Somadas, as campanhas dos oito deputados federais eleitos movimentaram quase R$ 14 milhões em gastos declarados à Justiça Eleitoral.

Os dados fazem parte das prestações de contas disponibilizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com informações atualizadas até sexta-feira (23). O levantamento considera os valores contratados pelos candidatos, incluindo publicidade, contratação de pessoal, mobilização de eleitores, transporte e serviços especializados.

A campanha de Coronel Fernanda representou aproximadamente 21,5% das despesas declaradas pelos oito eleitos. A parlamentar também conquistou a maior votação para deputada federal no Estado, mais que dobrando os 90.261 votos recebidos em 2022.

Entre os principais gastos da campanha estão R$ 657.392,50 destinados à produção de materiais publicitários impressos, R$ 607.178 com contratação de pessoal e R$ 510 mil para impulsionamento de conteúdos nas redes sociais. Juntas, essas três despesas somaram aproximadamente R$ 1,77 milhão, o equivalente a quase 59% do total contratado.

A parlamentar também declarou R$ 238.532,03 com locação de veículos, R$ 200 mil em serviços advocatícios, R$ 185.403 com transporte e deslocamento e R$ 180 mil destinados a pesquisas eleitorais.

Apesar de liderar os gastos totais, Coronel Fernanda não teve o maior custo proporcional por voto. Considerando as despesas contratadas e a votação recebida, cada voto conquistado pela parlamentar correspondeu a aproximadamente R$ 14,70 em gastos de campanha.

O maior valor nessa comparação foi registrado pelo deputado Juarez Costa (Republicanos), reeleito com 83.655 votos. Sua campanha declarou R$ 2.601.494,09 em despesas, o equivalente a R$ 31,10 por voto. O parlamentar ficou em segundo lugar no ranking de gastos, mas apresentou o maior custo proporcional entre os oito eleitos.

Na campanha de Juarez Costa, os maiores investimentos foram destinados à contratação de serviços terceirizados, com R$ 564.253,90, atividades de militância e mobilização de rua, com R$ 545.918,50, e materiais impressos, que consumiram R$ 508.272,30.

O terceiro maior gasto foi registrado pelo deputado Coronel Assis (PL), reeleito com 128.654 votos. A campanha declarou R$ 2.323.795,72, com destaque para os R$ 829.063,15 destinados à militância e mobilização de rua. O valor representou mais de um terço de todas as despesas contratadas pelo parlamentar.

Na quarta posição aparece Virginia Mendes (União Brasil), eleita com 102.061 votos e gastos de R$ 2.189.439,85. Entre os oito eleitos, ela liderou os investimentos em impulsionamento de conteúdos nas redes sociais, com R$ 525 mil destinados à publicidade digital. Também declarou R$ 387.920 em mobilização de rua e R$ 300 mil em serviços advocatícios.

O deputado Fábio Garcia (União Brasil), reeleito com 139.696 votos, aparece em quinto lugar, com R$ 1.863.170,37 em despesas. Os principais gastos foram relacionados à contratação de pessoal, mobilização de rua, produção de materiais impressos e serviços jurídicos e contábeis.

Já Rosa Neide (PT), eleita com 140.198 votos, registrou despesas de R$ 957.589,29. A parlamentar apresentou o menor gasto proporcional por voto entre os vencedores, com aproximadamente R$ 6,83 para cada voto recebido. A maior parcela de seus recursos foi destinada à contratação de serviços terceirizados, mobilização de rua e publicidade impressa.

As campanhas com os menores gastos totais foram as de Coronel Roveri (Podemos), eleito com 47.176 votos, e Thiago Boava (PL), que recebeu 72.365 votos. Roveri declarou R$ 527.403,38, enquanto Boava registrou R$ 518.415,14.

A diferença entre os investimentos mostra que os candidatos adotaram estratégias distintas para conquistar o eleitorado. Enquanto algumas campanhas concentraram recursos em publicidade e impulsionamento digital, outras priorizaram mobilização de rua, contratação de equipes e serviços especializados.

No total, os oito deputados federais eleitos por Mato Grosso declararam R$ 13.994.918,20 em despesas contratadas, uma média de aproximadamente R$ 1,75 milhão por candidatura. Os quatro candidatos que mais gastaram concentraram cerca de 72% desse montante.

É importante destacar que os valores apresentados correspondem às despesas contratadas durante a campanha, não necessariamente aos pagamentos já realizados. Também não significam, por si só, que os candidatos utilizaram recursos próprios ou que houve irregularidades na aplicação do dinheiro.

Parte do financiamento das campanhas veio de recursos públicos distribuídos pelos partidos, por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral. No caso de Coronel Fernanda, a prestação de contas registra o recebimento de R$ 3 milhões transferidos pelo Partido Liberal.

A Justiça Eleitoral estabeleceu um limite de R$ 3.176.572,53 para os gastos de cada candidatura a deputado federal nas eleições de 2026. O valor declarado por Coronel Fernanda, embora seja o maior entre os eleitos de Mato Grosso, permanece abaixo desse teto no levantamento considerado.

Os candidatos têm até 3 de novembro para apresentar as prestações de contas definitivas referentes ao primeiro turno. Até lá, os valores poderão sofrer alterações em razão de atualizações, correções e complementações das informações declaradas.

Após o encerramento do prazo, a Justiça Eleitoral analisará a documentação e poderá solicitar esclarecimentos antes de decidir sobre a regularidade das contas.

O levantamento evidencia o peso financeiro das campanhas eleitorais e também as diferenças entre os investimentos realizados pelos candidatos. Embora o volume de recursos possa ampliar a estrutura de divulgação e mobilização, os resultados mostram que gastar mais não significa, necessariamente, conquistar votos a um custo proporcional menor.

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