PF aponta que consultor do TCE recebeu R$ 32,3 milhões em menos de dez meses
Política POR: Redação
POSTADO EM: 05/11/2026
A investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de irregularidades no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) identificou movimentações financeiras de alto valor envolvendo o consultor jurídico-geral da instituição, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia. Segundo os investigadores, ele recebeu R$ 32,3 milhões entre janeiro e outubro de 2025, tornando-se o principal destinatário individual dos pagamentos analisados.
De acordo com informações reunidas na investigação e reproduzidas em decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), aproximadamente R$ 31,6 milhões foram transferidos por meio de 179 ordens bancárias avulsas. As operações passaram por 12 contas mantidas em nove instituições financeiras, com registros de movimentações simultâneas em diferentes bancos.
Um dos episódios que chamou a atenção dos investigadores ocorreu em 22 de setembro de 2025. Naquela data, sete ordens bancárias destinadas ao consultor somaram aproximadamente R$ 2 milhões. Os valores individuais variaram entre R$ 87 mil e R$ 398 mil, conforme os dados descritos na documentação da investigação.
A Polícia Federal também identificou uma evolução expressiva nas quantias recebidas ao longo do período. Em outubro de 2025, os pagamentos atribuídos ao consultor chegaram a R$ 7,61 milhões até o dia 22, segundo levantamento citado na apuração.
Outro ponto analisado é a evolução patrimonial. Conforme os dados reunidos pelos investigadores, o patrimônio identificado de Grhegory passou de R$ 1,84 milhão, em janeiro de 2025, para R$ 7,61 milhões em outubro daquele ano. A investigação também identificou veículos de alto valor e empresas ligadas ao consultor e à família.
Entre os negócios analisados está uma empresa criada em julho de 2025 para atuar na criação de cavalos e na comercialização de embriões e sêmen. Para os investigadores, esse tipo de atividade exige atenção na apuração, já que a avaliação dos animais e do material genético pode envolver critérios subjetivos. A suspeita de eventual utilização de empresas para ocultar recursos ainda depende do aprofundamento das investigações.
Grhegory foi preso preventivamente durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada em 29 de outubro de 2026. A operação apura suspeitas de desvios de recursos públicos e pagamentos realizados fora dos procedimentos regulares no TCE-MT.
A investigação não se limita ao consultor. A Polícia Federal também identificou pagamentos suspeitos a integrantes da cúpula do tribunal. Segundo os dados apresentados na decisão judicial, sete conselheiros teriam recebido, juntos, aproximadamente R$ 48,5 milhões em transferências entre janeiro e outubro de 2025, enquanto o Portal da Transparência registrava cerca de R$ 2,2 milhões em remunerações oficiais no período analisado.
Os investigadores apuram se parte dos recursos foi movimentada por meio de ordens bancárias avulsas e canais utilizados normalmente para pagamentos a fornecedores, em operações que poderiam ter ocultado a natureza e a destinação do dinheiro.
A operação provocou medidas judiciais contra integrantes e servidores ligados ao tribunal, incluindo prisões preventivas e afastamentos de funções. As decisões foram tomadas no âmbito da investigação, e os fatos ainda precisam ser esclarecidos no curso do processo.
Até as publicações consultadas, não havia manifestação pública da defesa do consultor sobre todos os valores apontados. A apuração permanece em andamento, e os números divulgados pela Polícia Federal representam suspeitas investigadas, não uma condenação definitiva.
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