Acordo UE–Mercosul entra no radar político e é alvo de críticas do agro por risco à indústria nacional
Agro POR: Redação
POSTADO EM: 16/01/2026
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado pelo Conselho Europeu neste mês, passou a ser alvo de críticas do agronegócio brasileiro, que vê no pacto mais um capítulo de disputa política e econômica travada no cenário internacional. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Beber, o texto aprovado tende a trazer efeitos negativos ao Brasil no curto prazo, especialmente por impor exigências ambientais consideradas desproporcionais e com forte viés político.
Segundo Beber, as regras ambientais defendidas pela União Europeia funcionam, na prática, como barreiras comerciais que atingem diretamente o produtor rural brasileiro. Ele cita o regulamento europeu conhecido como EUDR, aprovado em 2020, que veta a importação de commodities provenientes de áreas desmatadas após aquele ano, mesmo quando o desmatamento ocorreu de forma legal, conforme a legislação brasileira.
“Isso cria uma distorção política e econômica. O produtor brasileiro é obrigado a manter reserva legal dentro da própria propriedade, algo que não existe em muitos países europeus, mas essa realidade é ignorada nas negociações”, afirmou.
O posicionamento da Aprosoja ocorre às vésperas da assinatura oficial do acordo, prevista para o dia 17 de janeiro, no Paraguai. A aprovação do pilar comercial encerra um longo processo diplomático, iniciado ainda em 2019, marcado por forte pressão de setores agrícolas europeus e de organizações ambientais, sobretudo em razão da política ambiental brasileira e da preservação da Amazônia.
Internamente, o acordo expôs divisões políticas na própria Europa. Países como França, Polônia e Irlanda lideraram a resistência, pressionados por agricultores que temem a concorrência de produtos sul-americanos. A Itália, governada por Giorgia Meloni, chegou a bloquear a votação em dezembro de 2025, recuando posteriormente após negociações políticas que envolveram compensações na Política Agrícola Comum e a criação de salvaguardas para produtos considerados sensíveis.
Para Beber, o cenário reforça que o debate ambiental tem sido instrumentalizado como ferramenta política e econômica. Embora a soja brasileira tenha exposição limitada ao mercado europeu — cerca de 14% das exportações —, ele avalia que os maiores prejuízos podem recair sobre a indústria nacional, especialmente os setores de proteína animal e laticínios, que enfrentariam concorrência direta com menos restrições de entrada no mercado brasileiro.
“O risco é repetir, no comércio internacional, o que aconteceu internamente com a moratória da soja, um acordo privado que acabou impondo limites além da lei e criando distorções econômicas”, avaliou.
O presidente da Aprosoja defende que o Brasil adote uma postura mais firme nas negociações internacionais e invista em estratégias políticas e diplomáticas para reposicionar a imagem do país no exterior. Segundo ele, mecanismos como rastreabilidade fiscal, monitoramento por satélite e logística diferenciada podem atender mercados específicos sem penalizar de forma ampla os produtores.
Apesar das críticas, Beber reconhece que, historicamente, o setor acaba se adaptando às novas regras. Ainda assim, avalia que a insegurança política permanece, sobretudo porque o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, onde enfrenta resistência, além de possíveis questionamentos judiciais em países-membros.
Na avaliação do setor produtivo, o acordo UE–Mercosul escancara um embate político maior: de um lado, a busca europeia por proteção de seus mercados internos; de outro, a pressão sobre países em desenvolvimento para adequação a padrões ambientais que desconsideram suas realidades produtivas e legais.
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