CPI da Saúde vira alvo de disputa na Assembleia após acusação de irregularidade
Política POR: Redação
POSTADO EM: 11/02/2026
Líder do governo, Dilmar Dal Bosco afirma que assinaturas usadas para criar comissão foram colhidas em 2023 e não teriam validade para abertura da CPI em 2026.
A criação da CPI da Saúde na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) entrou no centro de uma nova crise política. O líder do governo na Casa, deputado Dilmar Dal Bosco (União Brasil), protocolou nesta terça-feira (11) um requerimento pedindo a declaração de inconstitucionalidade e nulidade da comissão.
A ofensiva conta com o apoio dos deputados Dr. João (MDB), Chico Guarnieri (MDB) e Juca do Guaraná (MDB), que alegam que o autor da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), utilizou assinaturas colhidas em 2023 para formalizar o pedido apenas agora, em 2026.
Segundo os parlamentares, o documento apresentado seria um “rascunho de gaveta” elaborado há quase três anos, em um contexto político já superado. Dr. João afirmou que não autorizou o uso da assinatura para a abertura da CPI neste momento.
“Agora você pegar assinatura lá de 2023 sem você saber e colocar [na CPI] não é muito legal”, declarou.
No requerimento encaminhado à Mesa Diretora, Dilmar e os coautores listam três supostas irregularidades que, segundo eles, comprometem a validade da CPI da Saúde:
- Uso de assinaturas antigas: as adesões teriam sido coletadas em 2023 para um cenário específico e não poderiam ser reaproveitadas três anos depois.
- Leitura genérica em plenário: a leitura do requerimento, realizada no dia 2 de fevereiro pelo 1º vice-presidente, não teria deixado claro que se tratava da criação de uma CPI, o que, segundo os críticos, compromete o controle e a transparência do ato.
- Formalidade do documento: o texto descreve o requerimento original como um papel com rasuras e anotações à margem, o que, na avaliação do grupo, fere o rigor do processo legislativo.
Trecho do despacho afirma que o documento “foi efetivamente assinado no ano de 2023” e que, à época, optou-se por não formalizar a CPI após esclarecimentos prestados. Agora, segundo os autores do pedido de nulidade, o requerente teria reaproveitado as assinaturas antigas.
Defesa de Wilson Santos
O deputado Wilson Santos sustenta que a criação da CPI está “juridicamente consolidada”. Durante a sessão desta quarta-feira (11), ele ignorou as tentativas de anulação e cobrou publicamente o presidente da Assembleia, Max Russi (PSB), para que faça a nomeação imediata dos membros da comissão.
Para o parlamentar, o rito foi cumprido e não há ilegalidade na formalização do pedido.
A controvérsia agora será analisada pela Procuradoria da Assembleia Legislativa e pela Mesa Diretora. O grupo liderado por Dilmar pede que, caso o requerimento não seja arquivado de imediato, seja adotado procedimento semelhante ao do Senado Federal, com ratificação manual das assinaturas para confirmar se os deputados ainda mantêm apoio à investigação.
O embate amplia a tensão entre base governista e oposição na ALMT e pode redefinir os rumos da CPI da Saúde, que nasceu sob promessa de investigar possíveis irregularidades na gestão da área no Estado.
Política
Governador admite transtornos do BRT, mas minimiza críticas: “Obra grande tem impacto”
Max Russi projeta pouca mudança na Assembleia e aposta em reeleição de deputados
Abílio fica em cima do muro e admite apoiar Pivetta e Wellington na campanha
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Mato Grosso aumenta produção de biodiesel em 15% e pode liderar ranking nacional
Rondonópolis cria programa para adoção de praças e áreas públicas
Agricultura familiar recebe novos tratores e reforça produção no campo em Várzea Grande
