Câmara de Cuiabá vive sessão tumultuada com acusações de blindagem ao Executivo e gritos no plenário
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 10/07/2026
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Cuiabá desta quinta-feira (9) foi marcada por um dos momentos mais tensos do ano no Legislativo. O plenário virou palco de uma troca de acusações entre os vereadores Maysa Leão (Republicanos) e Demilson Nogueira (PP), em um embate que expôs o acirramento político dentro da Casa e aprofundou as divergências sobre a relação entre o Parlamento e a Prefeitura de Cuiabá.
A discussão teve início quando Maysa afirmou que o Legislativo corre o risco de voltar a ser visto como um “puxadinho da Prefeitura”, expressão utilizada durante a legislatura passada para criticar a falta de independência da Câmara em relação ao Executivo. A vereadora argumentou que alguns parlamentares estariam atuando para proteger a gestão do prefeito Abílio Brunini (PL), principalmente diante da ação judicial proposta pelo Executivo contra dispositivos do Regimento Interno da Casa.
Durante seu pronunciamento, Maysa também criticou a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Educação, classificando a iniciativa como “patética” e questionando as prioridades da Câmara. A declaração provocou reação imediata de Demilson Nogueira, autor do requerimento da comissão, que rebateu as críticas e afirmou que a parlamentar costuma atacar colegas sempre que é contrariada em discussões políticas. O vereador sustentou que a CPI foi reapresentada após o encerramento de outra comissão, respeitando as regras regimentais da Casa.
O clima rapidamente saiu do campo político e ganhou contornos de confronto verbal. Com interrupções, gritos e troca de acusações, a sessão precisou ser interrompida e quase acabou suspensa novamente. A presidente da Câmara, Paula Calil (PL), também foi alvo de críticas depois de negar um pedido de direito de resposta apresentado por Maysa, decisão que aumentou ainda mais a tensão entre os parlamentares.
Os desentendimentos ocorreram em meio às articulações para a eleição da próxima Mesa Diretora e ao debate sobre a ação apresentada pelo prefeito Abílio Brunini no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. A iniciativa do Executivo questiona a constitucionalidade de dispositivos do Regimento Interno que exigem quórum qualificado para determinadas votações, entre elas a mudança das regras que podem abrir caminho para uma eventual recondução da atual presidente da Câmara ao comando da Casa. O tema ampliou o ambiente de polarização entre grupos de vereadores e intensificou as discussões sobre a autonomia do Legislativo diante do Executivo.
Apesar do forte embate, os trabalhos foram retomados posteriormente. A sessão, no entanto, evidenciou que a disputa política na Câmara ultrapassa a eleição da Mesa Diretora e alcança temas estratégicos da administração municipal, como a instalação de CPIs, a independência institucional do Parlamento e a condução das relações entre vereadores e Prefeitura. Com o calendário legislativo avançando e decisões importantes previstas para os próximos dias, a expectativa é de que o ambiente continue marcado por intensas articulações e novos confrontos políticos.
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