Conta de água pode subir 24% em Várzea Grande e decisão agora está nas mãos da prefeita
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 18/03/2026
A possibilidade de aumento na conta de água voltou ao centro do debate em Várzea Grande e já pressiona o Palácio Júlio Domingos Campos. A Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager-MT) recomendou um reajuste de 24,33% nas tarifas de água e esgoto do município, colocando nas mãos da prefeita Flávia Moretti a decisão final sobre a aplicação do novo valor.
O índice foi definido em sessão regulatória recente e leva em consideração a defasagem acumulada ao longo dos últimos anos. Segundo a agência, o cálculo considera a inflação medida pelo IPCA desde 2019, período em que a estrutura tarifária não acompanhou os custos operacionais do sistema.
Na prática, o aumento busca recompor perdas e garantir o equilíbrio financeiro do Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG), que enfrenta dificuldades históricas para manter a prestação do serviço. A última atualização relevante ocorreu em 2022, o que, segundo técnicos, ampliou o desequilíbrio nas contas da autarquia.
O tema, no entanto, é sensível. Em 2025, a própria prefeita já havia optado por segurar um reajuste semelhante, diante da repercussão negativa e do impacto direto no orçamento das famílias. Agora, o novo índice — ainda maior — volta à mesa em um cenário de pressão política e social.
Nos bastidores, a avaliação é de que a decisão carrega alto custo político. Isso porque Várzea Grande convive, há anos, com críticas recorrentes sobre falhas no abastecimento, o que amplia a resistência da população a qualquer aumento tarifário. Ao mesmo tempo, técnicos apontam que a falta de reajuste pode comprometer ainda mais a capacidade de investimento e manutenção do sistema.
Para amenizar o impacto, a Ager condicionou a recomendação à implantação da tarifa social, que pode garantir descontos de até 50% para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico.
A Prefeitura informou que ainda não recebeu oficialmente o documento, mas já sinalizou que o tema deve ser debatido em audiência pública, indicando que a decisão deve passar por pressão popular e análise política antes de qualquer decreto.
O episódio escancara um dilema comum na gestão pública: equilibrar a necessidade de manter serviços essenciais funcionando com a pressão por evitar novos custos à população. Em um ano de forte movimentação política, a decisão sobre a tarifa pode ultrapassar o campo técnico e ganhar peso direto no cenário eleitoral.
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