Cuiabá, 2026-10-21T18:49:57

Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea Grande

Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea GrandeBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 21/10/2026

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A investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) sobre suspeitas de corrupção na Câmara Municipal de Várzea Grande aponta o possível uso de cartas de renúncia assinadas antecipadamente e gravações clandestinas como instrumentos de pressão política contra vereadores. Segundo os elementos reunidos pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os materiais teriam sido utilizados para garantir apoio à eleição da Mesa Diretora e dificultar que parlamentares mudassem de posição.

As suspeitas fazem parte da Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20), para apurar a possível atuação de uma organização criminosa no Legislativo municipal. A investigação examina supostos acordos envolvendo vantagens financeiras, distribuição de cargos e mecanismos de constrangimento destinados a manter o controle político da Câmara.

De acordo com os relatos reunidos no procedimento investigatório, vereadores teriam sido induzidos a assinar cartas de renúncia sem o preenchimento da data. Os documentos ficariam sob controle do grupo investigado e poderiam ser utilizados para pressionar os parlamentares caso deixassem de cumprir os compromissos políticos assumidos.

Paralelamente, os investigadores apuram a existência de um ambiente preparado para registrar reuniões e possíveis entregas de dinheiro sem o conhecimento dos participantes. As gravações, conforme a hipótese investigativa, poderiam ser usadas para constranger os vereadores e impedir mudanças de posicionamento em votações consideradas estratégicas.

Os documentos analisados pelo Gaeco também mencionam suspeitas de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 10 mil por vereador, descritos nos relatos como um possível “mensalinho”. A investigação busca esclarecer se as supostas vantagens financeiras estavam vinculadas à obtenção de apoio político e à manutenção do comando da Mesa Diretora.

Outro ponto apurado envolve o vereador Kleberton Feitoza, citado nos elementos da investigação em relação ao possível uso de gravações para pressionar colegas. A participação individual de cada investigado ainda depende do aprofundamento das diligências e da análise das provas reunidas.

O vereador Caio Cordeiro também relatou ter sofrido intimidações após se afastar do grupo e iniciar fiscalizações relacionadas a contratos do transporte coletivo municipal. Segundo seu relato, houve ameaças de divulgação de gravações fora de contexto. Ele também informou às autoridades sobre o furto de uma mochila que continha documentos e um notebook pessoal, seguido do recebimento de mensagens anônimas com exigências para que recuasse das apurações, acompanhadas da imagem de uma arma de fogo.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Os investigadores apreenderam equipamentos eletrônicos e outros materiais que deverão passar por análise pericial. Também foram determinadas medidas relacionadas ao acesso e à preservação de dados telemáticos, com o objetivo de confrontar mensagens, registros digitais e depoimentos.

A apuração está relacionada à disputa pelo comando da Câmara de Várzea Grande para o biênio 2027/2028. O Ministério Público busca esclarecer se houve negociação de vantagens indevidas, coação de parlamentares e utilização de informações comprometedoras para garantir votos e preservar alianças políticas.

O resultado da análise dos dispositivos eletrônicos e dos demais elementos reunidos poderá orientar os próximos passos do procedimento, inclusive a eventual apresentação de denúncia criminal pelo Ministério Público.

Até o momento, as informações divulgadas dizem respeito a suspeitas investigadas pelas autoridades. A eventual responsabilidade de cada pessoa deverá ser apurada individualmente, com respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência.

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