Pivetta e Mauro Mendes se reúnem em tentativa de evitar ruptura que ameaça chapa governista em MT
Política POR: Redação
POSTADO EM: 11/08/2026
O futuro da principal aliança política de Mato Grosso para as eleições de 2026 entrou em uma zona de incerteza. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) se reúnem nesta terça-feira (11), em Cuiabá, para tentar preservar a composição que vinha sendo construída para a disputa pelo Governo do Estado e pelo Senado. O encontro acontece após a Operação Heritage, da Polícia Federal, provocar forte pressão sobre a chapa e colocar em dúvida a permanência do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como vice de Pivetta.
Até a tarde de segunda-feira (10), a tendência era de que Pivetta confirmasse Garcia como companheiro de chapa. O governador, inclusive, havia preparado uma entrevista coletiva para anunciar a decisão. A agenda, porém, foi adiada depois de uma série de reuniões e conversas realizadas ao longo do dia no Palácio Paiaguás. A mudança de cenário expôs a dimensão do impasse e levou Pivetta a reavaliar uma decisão que, poucas horas antes, era dada como praticamente definida.
O problema ganhou força após a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (6) para investigar suspeitas envolvendo um acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi. Mauro Mendes e Fábio Garcia estão entre os alvos da investigação. A apuração ainda está em andamento e a condição de investigado não significa condenação ou comprovação de responsabilidade criminal.
A situação colocou Pivetta diante de um dilema político. De um lado, a manutenção de Garcia preservaria o acordo construído com Mauro Mendes e evitaria uma ruptura dentro do grupo que governa Mato Grosso. De outro, o governador passou a avaliar o impacto eleitoral que a presença do deputado na chapa poderia produzir durante a campanha, especialmente diante da repercussão da operação policial.
Mauro Mendes, por sua vez, defende a manutenção da composição e a unidade do grupo. O ex-governador pretende disputar uma das duas vagas ao Senado e trabalha para que a campanha seja apresentada como continuidade do projeto administrativo desenvolvido durante seus dois mandatos. Em sua defesa após a operação, Mendes também questionou a motivação da investigação e classificou a ação como uma tentativa de atingir politicamente o grupo.
Nos bastidores, a pressão pela mudança de vice ganhou força. Parlamentares e pré-candidatos a deputado foram consultados sobre o cenário, e parte deles teria defendido a saída de Garcia. Pivetta também conversou com diferentes integrantes de seu grupo político antes de tomar uma decisão definitiva. Entre os nomes consultados estão o próprio Mauro Mendes, Fábio Garcia, o empresário Cidinho Santos, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), o consultor Luiz Antônio Pagot, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, além de outros aliados.
Uma das alternativas discutidas nos bastidores envolve a substituição de Garcia por uma mulher. Entre os nomes citados aparece o da primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira (Podemos), embora a proposta tenha encontrado resistência dentro do partido. Outras possibilidades também passaram a ser avaliadas diante da necessidade de preservar a aliança sem ampliar o desgaste provocado pela crise.
O problema é que uma eventual retirada de Fábio Garcia não teria apenas efeito sobre a composição eleitoral. A mudança poderia provocar o afastamento de Mauro Mendes da campanha de Pivetta e abrir uma fissura dentro da base governista. Nos bastidores, chegaram até a circular especulações sobre uma nova composição envolvendo o empresário e ex-senador Cidinho Santos para o Governo e Fábio Garcia como vice, embora Cidinho tenha negado essa possibilidade.
A crise ocorre justamente quando o grupo buscava consolidar Pivetta como candidato à sucessão de Mauro Mendes. A construção da aliança vinha sendo apresentada como uma estratégia de continuidade da atual administração, reunindo o governador, o ex-governador e diferentes partidos da base. Uma ruptura neste momento, portanto, poderia obrigar as principais forças do grupo a reorganizar palanques, alianças e candidaturas para 2026.
A reunião entre Pivetta e Mendes passa, assim, a ser decisiva não apenas para definir quem ocupará a vice, mas para estabelecer se o grupo governista seguirá unido na eleição. A escolha de Fábio Garcia pode determinar o futuro da chapa, enquanto uma eventual substituição poderá abrir uma nova rodada de negociações e alterar significativamente o cenário da sucessão estadual.
Com a eleição cada vez mais próxima, o que estava sendo construído como uma transição política planejada entre Mauro Mendes e Otaviano Pivetta agora enfrenta seu primeiro grande teste. O resultado da conversa entre os dois pode definir se a base governista chegará à disputa de 2026 fortalecida pela unidade ou dividida por uma crise que ganhou força justamente no momento em que a campanha começa a tomar forma.
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