Prefeitura quer romper consórcio da Saúde, mas impasse mantém Cuiabá vinculada
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 29/04/2026
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), voltou a defender a retirada da capital do Consórcio Intermunicipal de Saúde Vale do Rio Cuiabá (Cirvasc), afirmando que o pedido formal de desligamento já foi encaminhado. Apesar disso, o município ainda aparece oficialmente como integrante da entidade, o que expõe um impasse administrativo e político em torno do caso.
A declaração reacende uma disputa que se arrasta há meses entre a Prefeitura de Cuiabá e a direção do consórcio, responsável por compras compartilhadas de medicamentos, insumos e serviços para cidades da Baixada Cuiabana. Para Abilio, o modelo atual perdeu viabilidade técnica e econômica para a capital.
Segundo o prefeito, Cuiabá não vê mais vantagem em permanecer na estrutura consorciada e decidiu buscar novos caminhos para atender a rede municipal de saúde com mais autonomia. A gestão sustenta que o município, por ser o maior da região, tem demandas distintas e precisa de agilidade maior nas aquisições e contratações.
A permanência do nome de Cuiabá na lista de integrantes mesmo após o anúncio de saída levanta questionamentos sobre a tramitação jurídica do desligamento. Em consórcios públicos, o rompimento normalmente depende de formalidades legais, comunicação entre entes participantes e, em alguns casos, aprovação legislativa.
A tensão entre prefeitura e consórcio também envolve críticas feitas por Abílio à gestão da entidade. Em manifestações anteriores, o prefeito citou suspeitas sobre compras realizadas e apontou valores considerados elevados em alguns processos, o que teria pesado na decisão de deixar o grupo.
O tema ganhou relevância política porque afeta diretamente a área mais sensível da administração pública: a saúde. Qualquer mudança no sistema de compras e abastecimento pode impactar hospitais, unidades básicas, distribuição de medicamentos e atendimento à população.
Para aliados do prefeito, a saída representa independência administrativa. Já críticos avaliam que o rompimento pode enfraquecer compras coletivas e reduzir poder de negociação em determinados contratos.
A discussão também ocorre em momento estratégico. Em ano pré-eleitoral, saúde pública tende a dominar o debate político, e qualquer ruído institucional entre prefeitura, Estado e municípios vizinhos ganha proporção maior.
Enquanto o impasse não é resolvido oficialmente, Cuiabá segue em situação ambígua: anuncia a saída, mas ainda permanece vinculada nos registros do consórcio. O desfecho dependerá dos próximos passos jurídicos e políticos entre as partes.
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