Elizeu Nascimento nega esquema milionário e diz que guardar dinheiro em casa é “normal”
Política POR: Redação
POSTADO EM: 07/05/2026
O deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) reagiu publicamente pela primeira vez após se tornar alvo da Operação Emenda Oculta, investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares em Mato Grosso. Durante entrevista concedida nesta semana, o parlamentar negou qualquer irregularidade e afirmou que manter dinheiro em espécie dentro de casa seria uma situação “normal”.
A declaração ocorreu dias depois de agentes do Ministério Público Estadual cumprirem mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado e ao vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União Brasil), irmão do parlamentar. Durante a operação, os investigadores apreenderam cerca de R$ 200 mil em dinheiro vivo, sendo aproximadamente R$ 150 mil encontrados na residência de Elizeu e outros R$ 50 mil na casa do vereador.
Segundo o deputado, os valores apreendidos estariam devidamente declarados e teriam origem lícita. Elizeu afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo, que tramita sob sigilo judicial, mas garantiu tranquilidade diante das investigações.
A Operação Emenda Oculta investiga a destinação de mais de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares enviadas a entidades suspeitas de irregularidades. O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), responsável pelas investigações, apura indícios de desvios de recursos públicos, possível pagamento de vantagens indevidas e movimentações financeiras consideradas atípicas pelos investigadores.
De acordo com as apurações, parte dos recursos destinados às entidades teria sido sacada em espécie, o que levantou suspeitas de tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro. O caso provocou forte repercussão nos bastidores políticos da Assembleia Legislativa e ampliou a pressão sobre o deputado, principalmente pelo discurso de combate à corrupção historicamente defendido pelo partido Novo.
Nos corredores da política mato-grossense, a operação já é considerada uma das mais delicadas envolvendo emendas parlamentares nos últimos anos. A investigação atingiu diretamente um grupo político ligado à base conservadora e gerou desgaste dentro do próprio Novo, legenda que mantém discurso rigoroso contra uso indevido de recursos públicos.
Apesar das suspeitas apresentadas pelo Ministério Público, a desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, decidiu não afastar os investigados dos cargos públicos neste momento. Ainda assim, determinou medidas cautelares, como proibição de contato entre os investigados e restrições relacionadas à destinação de emendas parlamentares durante o andamento do processo.
A defesa do deputado sustenta que todas as emendas possuem prestação de contas regular e afirma que a investigação ainda precisa esclarecer diversos pontos antes de qualquer conclusão definitiva. Enquanto isso, aliados de Elizeu avaliam que o parlamentar tenta conter os danos políticos provocados pela operação, principalmente diante da ampla repercussão do caso nas redes sociais e no meio político.
O episódio também reacendeu o debate sobre a fiscalização das emendas parlamentares em Mato Grosso. Nos últimos anos, órgãos de controle têm ampliado o monitoramento sobre recursos destinados a instituições privadas e organizações sociais, principalmente diante do aumento das verbas parlamentares movimentadas no estado.
A investigação segue em andamento e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.
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