Katiuscia reage à derrota de Abílio na LDO, chama votação de histórica e dispara: “Engole o choro e vá trabalhar”
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 22/07/2026
A crise entre o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e parte da Câmara Municipal ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (21), após a vereadora Katiuscia Mantelli (Podemos) subir à tribuna para defender a rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 e rebater duramente as críticas feitas pelo chefe do Executivo aos parlamentares. Em um discurso marcado por fortes ataques políticos, a parlamentar classificou a votação como um momento “histórico” para o Legislativo cuiabano e afirmou que Abilio precisa “engolir o choro e trabalhar”, em resposta às declarações do prefeito após a derrota sofrida na Casa de Leis.
Segundo Katiuscia, a decisão da Câmara representou uma mudança de postura dos vereadores, que, na avaliação dela, deixaram de aprovar automaticamente um projeto considerado inadequado apenas para garantir o início do recesso parlamentar. A parlamentar sustentou que o texto encaminhado pela Prefeitura apresentava falhas técnicas e não atendia demandas consideradas prioritárias, entre elas a valorização dos profissionais da educação e alterações na legislação da categoria. Para a vereadora, aprovar a proposta nessas condições seria um ato de irresponsabilidade administrativa.
Durante o pronunciamento, Katiuscia respondeu diretamente às declarações de Abilio, que atribuiu a rejeição da LDO à falta de preparo dos vereadores e à disputa antecipada pela presidência da Câmara. A parlamentar afirmou que o problema não está no Legislativo, mas na condução política do Executivo, e declarou que um grupo político sólido depende da capacidade de liderança de quem governa. Segundo ela, o prefeito tem dificuldade em ouvir críticas e dialogar com os parlamentares, fatores que contribuíram para o desgaste entre a Prefeitura e parte da base aliada.
A vereadora também criticou a postura de Abilio ao afirmar que os vereadores deveriam continuar trabalhando enquanto o Executivo aguardaria o momento para reenviar o projeto da LDO. Em tom irônico, ela lembrou que o próprio prefeito já anunciou que deverá se afastar do cargo durante o período eleitoral e classificou o discurso como incoerente. “Quem precisa trabalhar é o senhor”, afirmou durante a sessão plenária.
A rejeição da LDO representa uma derrota política inédita para a gestão Abilio Brunini. O projeto recebeu 12 votos favoráveis, oito contrários e cinco abstenções, mas precisava alcançar ao menos 14 votos para ser aprovado em segunda votação, conforme determina a Lei Orgânica do Município. Sem a aprovação da matéria, a Câmara fica impedida de iniciar o recesso parlamentar até que uma nova proposta seja apreciada pelos vereadores.
Após a votação, Abilio afirmou que a derrota foi motivada por interesses ligados à disputa pela futura Mesa Diretora da Câmara e não por questões técnicas relacionadas ao orçamento. O prefeito também declarou que encaminhará um novo projeto ao Legislativo e classificou a rejeição como um “grande equívoco”, sustentando que os parlamentares poderiam ter alterado o texto por meio de emendas, em vez de rejeitá-lo integralmente. Segundo ele, a decisão acaba prejudicando o planejamento financeiro do município e, consequentemente, a população cuiabana.
O episódio evidencia o agravamento da relação entre o Palácio Alencastro e parte dos vereadores, justamente em um momento de intensa articulação política para a eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara. A derrota da LDO expôs dificuldades da base governista para formar maioria em votações estratégicas e ampliou o ambiente de confronto entre Executivo e Legislativo, cenário que deve continuar influenciando a tramitação de projetos importantes ao longo do segundo semestre.
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