Pivetta apoia fim do voto secreto na ALMT e manda recado aos deputados: “Não temos nada a esconder”
Política POR: Redação
POSTADO EM: 26/05/2026
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, saiu em defesa do fim do voto secreto nas sessões da Assembleia Legislativa que analisam vetos do Executivo e afirmou que a transparência deve prevalecer na relação entre o poder público e a população. A declaração ocorre em meio à forte repercussão da decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que considerou inconstitucional a manutenção das votações sigilosas na ALMT.
Durante entrevista concedida no sábado (23), Pivetta afirmou que não vê problema em tornar públicos os posicionamentos dos parlamentares e destacou que a política precisa caminhar cada vez mais sob fiscalização da sociedade.
“Acho que na política e na vida pública toda transparência é bem-vinda. Nós não temos nada a esconder ou, ao menos, não devemos ter nada para esconder”, declarou o governador.
A fala do republicano acontece em um momento de tensão nos bastidores da Assembleia Legislativa. A decisão judicial dividiu deputados estaduais e abriu uma nova frente de debate entre independência parlamentar e pressão política dentro da Casa de Leis.
O entendimento do TJMT foi firmado pelo desembargador Márcio Vidal, que apontou incompatibilidade entre a Constituição Estadual e a Constituição Federal após alterações promovidas em 2013, quando o Congresso Nacional passou a exigir votação aberta em processos de análise de vetos governamentais. Na prática, a medida impede que deputados estaduais mantenham sigilo em votações que envolvam decisões do Executivo.
Nos corredores da Assembleia, parte dos parlamentares reagiu com resistência. Deputados ligados à Mesa Diretora defendem que o voto secreto garantia liberdade de posicionamento sem interferências externas, principalmente em pautas consideradas delicadas politicamente. O presidente da ALMT, Max Russi, já sinalizou que a Procuradoria da Casa deve atuar para tentar reverter a decisão judicial.
Mesmo diante da reação de aliados do Legislativo, Pivetta reforçou que cabe ao Executivo construir maioria política através do diálogo e não por mecanismos de proteção institucional.
“O Executivo precisa ter capacidade de dialogar e formar maioria. Sempre trabalhamos dessa maneira, com base em propostas e ações voltadas ao interesse popular”, afirmou.
A discussão ganhou ainda mais peso político porque o voto aberto expõe diretamente o posicionamento dos deputados diante da opinião pública. Com isso, cada parlamentar passa a assumir publicamente sua postura em votações envolvendo vetos do governo, tema que historicamente movimenta articulações intensas nos bastidores do Parlamento estadual.
A decisão do TJMT surgiu após questionamentos relacionados à manutenção de vetos do governador Mauro Mendes, especialmente em matérias que envolvem impacto financeiro e interesses de categorias do funcionalismo público. O entendimento do Judiciário foi interpretado como um avanço na publicidade dos atos legislativos e na ampliação do controle social sobre o comportamento dos deputados estaduais.
A mudança também altera a dinâmica entre Executivo e Legislativo. Isso porque o voto aberto amplia a exposição dos parlamentares da base governista e dificulta movimentos de bastidores sem desgaste público. Ao mesmo tempo, fortalece cobranças populares e aumenta a pressão sobre deputados em votações estratégicas.
Apesar da divisão interna na Assembleia, o discurso de Pivetta foi visto por aliados como um gesto de alinhamento ao discurso de transparência defendido pelo governo estadual nos últimos anos. A avaliação entre integrantes do Palácio Paiaguás é de que o tema ainda deve gerar novos embates jurídicos e políticos nas próximas semanas.
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