Ulysses Moraes pede desligamento da AL após questionamentos sobre faltas e salário
Política POR: Redação
POSTADO EM: 28/05/2026
O ex-deputado estadual Ulysses Moraes pediu exoneração do cargo comissionado que ocupava na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) após semanas de desgaste político provocado por denúncias de ausências frequentes no expediente e questionamentos sobre sua atuação na Casa de Leis.
A saída foi confirmada pelo presidente da Assembleia, deputado Max Russi (Podemos), que informou já ter encaminhado o pedido de desligamento ao setor de Recursos Humanos. Segundo Russi, o ex-parlamentar decidiu deixar a função para seguir novos projetos pessoais e políticos.
Nos bastidores, porém, a exoneração ocorre em meio a uma crescente pressão interna de deputados estaduais, principalmente após críticas públicas feitas pelo deputado Júlio Campos (União Brasil), que chegou a defender abertamente a retirada de Ulysses do cargo.
O ex-deputado ocupava uma função comissionada ligada à estrutura da presidência da Assembleia, com salário bruto superior a R$ 19 mil mensais. Nomeado em março de 2023, ele permaneceu pouco mais de três anos na função e acumulou remunerações que ultrapassam R$ 780 mil no período.
A permanência de Ulysses na folha salarial da Assembleia vinha sendo alvo de questionamentos após denúncias de que o ex-parlamentar raramente era visto na sede do Legislativo estadual. O caso ganhou repercussão depois que deputados e servidores passaram a relatar supostas ausências constantes do influenciador digital durante o horário de expediente.
Com forte atuação nas redes sociais e mais de 800 mil seguidores, Ulysses intensificou nos últimos meses a produção de vídeos políticos, viagens e agendas ligadas ao campo conservador e ao bolsonarismo, o que aumentou ainda mais a pressão sobre sua permanência na estrutura da ALMT.
Júlio Campos foi um dos parlamentares que mais endureceram o discurso sobre o caso. O deputado afirmou que, se estivesse na presidência da Assembleia, já teria determinado a exoneração do ex-parlamentar. Ele também cobrou uma posição institucional da Mesa Diretora, argumentando que todos os servidores devem cumprir suas funções regularmente.
A Assembleia chegou a sustentar que cargos de chefia e liderança não possuem obrigatoriedade de registro de ponto, conforme resolução administrativa interna, permitindo inclusive atuação remota em determinadas situações. Ainda assim, o episódio provocou desgaste político dentro da Casa e alimentou críticas da oposição e de setores do funcionalismo.
Nos corredores da Assembleia, a avaliação é de que a saída de Ulysses ajuda a reduzir o desgaste da presidência em meio à repercussão negativa do caso. Parlamentares vinham demonstrando incômodo com a exposição do assunto e com a narrativa de possível privilégio dentro da estrutura do Legislativo estadual.
Além da atuação como influenciador digital, Ulysses também é apontado como possível candidato nas eleições de 2026. A movimentação política antecipada, somada às denúncias envolvendo o expediente, ampliou o debate sobre uso de cargos públicos por agentes políticos em pré-campanha.
Apesar da exoneração, o caso ainda deve continuar repercutindo no meio político mato-grossense, principalmente por envolver cobranças sobre transparência, controle de frequência e fiscalização de servidores comissionados na Assembleia Legislativa.
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