Vereadora protocola pedido de CPI para investigar contratos da Educação em Cuiabá
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 28/05/2026
A crise envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá ganhou novos contornos políticos após a vereadora Maysa Leão (Republicanos) protocolar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos, aquisições, reformas e serviços ligados à pasta entre os anos de 2021 e 2026. A iniciativa aumenta a pressão sobre a gestão do prefeito Abílio Brunini (PL) em meio a denúncias de possíveis irregularidades milionárias envolvendo recursos da Educação.
O requerimento foi apresentado nesta quinta-feira (28) na Câmara Municipal e prevê investigação sobre contratos administrativos, fornecimento de materiais, obras, compras de livros didáticos, uniformes escolares, kits pedagógicos, mobiliário e prestação de serviços vinculados à rede municipal de ensino.
A movimentação ocorre poucos dias após o próprio prefeito Abílio Brunini revelar que a Controladoria Geral do Município apura suspeitas de superfaturamento em contratos da Educação que poderiam gerar prejuízo de até R$ 80 milhões aos cofres públicos. Entre os casos investigados estão aquisições de livros didáticos que, segundo o prefeito, chegaram a ser cotados em valores próximos de R$ 800 por unidade.
No pedido protocolado na Câmara, Maysa Leão afirma que há indícios de “superfaturamento, sobrepreço, direcionamento, pagamentos indevidos, desperdício de recursos públicos, falhas de planejamento e possível prejuízo ao erário”. A vereadora sustenta que as denúncias recebidas por seu gabinete, somadas às informações apresentadas pela prefeitura, justificam a abertura de uma investigação parlamentar mais ampla.
Apesar da pressão política, a instalação imediata da CPI ainda enfrenta obstáculos regimentais. Atualmente, a Câmara de Cuiabá já possui cinco CPIs em andamento, limite máximo permitido simultaneamente pelo regimento interno da Casa. Para que uma sexta comissão seja aberta imediatamente, o requerimento precisará reunir apoio de pelo menos 18 dos 27 vereadores. Caso obtenha apenas as nove assinaturas mínimas, a CPI ficará na fila de tramitação até o encerramento de uma das investigações já existentes.
No Legislativo municipal, a proposta passou a movimentar vereadores da base e da oposição. Parlamentares avaliam que o avanço das denúncias envolvendo a Educação pode se transformar em uma das maiores crises políticas da gestão Abilio Brunini desde o início do mandato.
A situação ficou ainda mais delicada após o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, acusar publicamente a prefeitura de ter realizado uma “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões envolvendo recursos da Educação em 2025. A declaração foi feita na tribuna da Câmara e elevou ainda mais a pressão sobre o Executivo municipal.
Nos corredores da Câmara, vereadores avaliam que a combinação entre suspeitas de superfaturamento, denúncias de irregularidades em contratos e acusações envolvendo recursos vinculados ao Fundeb tornou praticamente inevitável o aprofundamento das investigações sobre a Secretaria Municipal de Educação.
A possível CPI também reacende um debate recorrente no Legislativo cuiabano sobre o excesso de comissões parlamentares abertas simultaneamente. Nos últimos meses, vereadores protocolaram pedidos de investigação envolvendo contratos administrativos, gestão orçamentária, Fundo Municipal de Educação, transporte coletivo e acordos firmados pela prefeitura em gestões anteriores.
Aliados da prefeitura afirmam que a gestão tem interesse em aprofundar todas as apurações e defendem que a própria administração municipal foi responsável por tornar públicas as suspeitas envolvendo contratos da Educação. Já vereadores independentes cobram transparência total sobre a execução orçamentária da pasta e defendem auditorias externas.
Enquanto a coleta de assinaturas segue nos bastidores, a expectativa é de que a discussão sobre a CPI domine os próximos debates na Câmara de Cuiabá, ampliando o desgaste político em torno da Educação municipal e aumentando a pressão sobre o Palácio Alencastro.
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