Abílio reage a ex-secretário e expõe pagamento antecipado de R$ 21 milhões na Educação de Cuiabá
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 29/05/2026
A crise envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá ganhou novos contornos políticos e administrativos após o prefeito Abílio Brunini (PL) rebater publicamente as declarações do ex-secretário Amauri Monge e revelar que a gestão identificou pagamentos antecipados de aproximadamente R$ 21 milhões relacionados à aquisição de materiais didáticos para a rede municipal.
O embate ocorre em meio à investigação aberta pela Prefeitura para apurar possíveis irregularidades em contratos que podem ultrapassar R$ 70 milhões. A suspeita envolve compras consideradas incompatíveis com a realidade da rede pública municipal e contratos que, segundo a administração, apresentam indícios de sobrepreço e inconsistências técnicas.
Amauri Monge havia comparecido à Câmara Municipal e acusado a atual gestão de promover uma “pedalada fiscal” na Educação, alegando que recursos constitucionais obrigatórios da pasta não teriam sido integralmente aplicados em 2025. O ex-secretário também negou qualquer irregularidade nas contratações realizadas durante sua gestão e classificou as acusações do prefeito como “ilações irresponsáveis”.
A resposta de Abílio veio em tom duro. Em nota oficial, o prefeito afirmou que o município cumpriu integralmente os índices constitucionais obrigatórios da Educação e argumentou que a gestão atual trabalha para reorganizar as finanças herdadas da administração anterior.
Segundo o prefeito, um dos pontos mais graves identificados pela equipe técnica envolve o pagamento antecipado de cerca de R$ 21 milhões para aquisição de materiais didáticos logo no início do ano, enquanto escolas enfrentavam problemas considerados emergenciais, como falta de manutenção, limpeza, transporte escolar, alimentação e reformas estruturais.
A gestão tenta demonstrar rigor fiscal e endurecimento no controle de contratos públicos, principalmente após o desgaste causado pelas denúncias envolvendo a Educação.
A Prefeitura sustenta que conseguiu reduzir o passivo financeiro do município em mais de R$ 370 milhões ao longo de 2025. De acordo com os números apresentados pela administração, a dívida de curto prazo teria caído de aproximadamente R$ 1,25 bilhão para cerca de R$ 880 milhões.
As suspeitas envolvendo os contratos da Educação passaram a ser investigadas oficialmente no dia 28 de janeiro deste ano, após determinação direta do prefeito. A Controladoria Geral do Município conduz auditorias internas com apoio de setores de inteligência, monitoramento e fiscalização da Prefeitura.
O caso também já foi encaminhado a órgãos de controle e investigação, incluindo Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal.
Entre os principais pontos analisados estão contratos relacionados à compra de soluções pedagógicas, plataformas educacionais e materiais didáticos apontados pela atual gestão como incompatíveis com os valores praticados no mercado.
Amauri Monge, por sua vez, afirma que não houve compra de “livros avulsos”, mas sim contratação de sistemas pedagógicos completos, incluindo materiais para professores, plataformas digitais e capacitação educacional. O ex-secretário também sustenta que todos os processos passaram pela Procuradoria-Geral do Município e pela Secretaria de Economia.
A disputa política em torno da Educação já mobiliza vereadores da capital. Parlamentares da oposição articulam pedidos de investigação e discutem a possibilidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para aprofundar a análise dos contratos firmados pela pasta.
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