Cuiabá, 2026-06-07T16:05:06

TCE recolhe livros com erros e suspeita uso de IA em contrato milionário da Educação de Cuiabá

TCE recolhe livros com erros e suspeita uso de IA em contrato milionário da Educação de CuiabáBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 01/06/2026

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A compra de materiais didáticos pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá entrou no centro de uma das maiores polêmicas da gestão pública recente após o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) recolher exemplares de livros que apresentam erros de português, conteúdos considerados incompatíveis com a realidade da rede municipal e indícios de utilização de inteligência artificial na produção dos materiais.

A fiscalização foi realizada pelo presidente do TCE, conselheiro Sérgio Ricardo, durante vistoria no almoxarifado da Secretaria de Educação, acompanhado pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). A inspeção faz parte de uma investigação que apura possíveis irregularidades em contratos que podem ultrapassar R$ 70 milhões e que, segundo denúncias apresentadas pela atual gestão, podem chegar à casa dos R$ 80 milhões.

Durante a análise do material armazenado em galpões da Prefeitura, a equipe encontrou apostilas e livros de educação financeira e informática destinados à rede municipal. O problema, segundo os apontamentos feitos durante a vistoria, é que muitas escolas não possuem laboratórios de informática e sequer oferecem disciplinas ligadas à educação financeira na estrutura curricular regular.

Além disso, os auditores identificaram falhas de concordância, erros gramaticais e trechos considerados incompatíveis com o padrão exigido para materiais educacionais. A suspeita de que parte do conteúdo tenha sido produzido com auxílio de inteligência artificial também passou a integrar o foco das investigações.

A situação provocou reação imediata do Tribunal de Contas, que determinou o recolhimento de exemplares para análise técnica. O objetivo é verificar a qualidade pedagógica do conteúdo, a legalidade dos contratos firmados e a necessidade real da aquisição dos materiais.

O caso ganhou dimensão ainda maior porque ocorre em meio ao debate sobre prioridades da educação municipal. Segundo a Prefeitura, enquanto milhões de reais eram destinados à compra dos livros, escolas enfrentavam dificuldades relacionadas à infraestrutura, manutenção predial, transporte escolar, alimentação e reformas de unidades de ensino.

Outro ponto que chamou a atenção durante a fiscalização foi a quantidade de materiais armazenados sem previsão clara de utilização. Parte dos livros permanece encaixotada em depósitos da Secretaria de Educação, levantando questionamentos sobre planejamento, logística e eventual desperdício de recursos públicos.

O prefeito Abílio Brunini afirmou que pagamentos ligados aos contratos investigados foram suspensos após a identificação das supostas irregularidades. Ele também denunciou a existência de cobranças e pressões por parte de empresas fornecedoras para que o município efetuasse pagamentos referentes a materiais entregues à administração.

As suspeitas recaem sobre contratos celebrados entre 2025 e 2026, período em que a pasta era comandada pelo ex-secretário Amauri Monge. O ex-gestor, por sua vez, rebateu as acusações e negou qualquer fraude ou irregularidade envolvendo a aquisição dos materiais didáticos.

Diante da repercussão, o Tribunal de Contas abriu uma auditoria mais ampla para revisar contratos, processos de compra, critérios pedagógicos adotados na escolha dos materiais e possíveis responsabilidades administrativas. O Ministério Público também acompanha o caso.

A investigação deve analisar se houve sobrepreço, superfaturamento, compra em quantidade superior à necessidade da rede ou eventual direcionamento na contratação das empresas fornecedoras. A expectativa é que os relatórios técnicos indiquem se houve dano aos cofres públicos e apontem possíveis responsabilizações.

O episódio ampliou a pressão política sobre a gestão da Educação em Cuiabá e promete gerar novos desdobramentos nas próximas semanas, especialmente diante da dimensão financeira dos contratos e do impacto direto sobre milhares de alunos da rede municipal.

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