Moretti expõe rombo no IPTU de Várzea Grande e dispara contra Câmara: “Não aprovaram porque não quiseram”
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 02/06/2026
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, voltou a elevar o tom das críticas contra a Câmara Municipal ao comentar a elevada inadimplência do IPTU no município. Segundo a gestora, a dificuldade da administração em ampliar a arrecadação própria está diretamente ligada à rejeição de propostas encaminhadas ao Legislativo para modernizar os mecanismos de cobrança e atualização cadastral dos imóveis da cidade.
Durante entrevista, Moretti afirmou que parte significativa dos contribuintes permanece em débito com o imposto e argumentou que medidas capazes de melhorar a arrecadação acabaram não avançando na Câmara. Sem citar apenas questões técnicas, a prefeita atribuiu a situação à falta de vontade política de setores do Legislativo, afirmando que o projeto não foi aprovado “porque não quiseram”. A declaração aprofunda ainda mais a crise institucional que vem marcando a relação entre o Executivo e a Câmara de Várzea Grande.
A cobrança ocorre em um momento em que a prefeitura busca ampliar receitas para equilibrar as contas públicas. Desde o início da gestão, Moretti tem afirmado que herdou uma situação financeira delicada, com elevado volume de restos a pagar, dívidas com fornecedores e compromissos financeiros que pressionam o orçamento municipal. Em janeiro do primeiro ano de mandato, a prefeita chegou a afirmar que o cenário encontrado em Várzea Grande era mais grave do que o enfrentado por Cuiabá no início da atual administração da capital.
O episódio também amplia o embate político entre a prefeita e o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira. A relação entre os dois poderes vem acumulando sucessivos conflitos ao longo dos últimos meses, envolvendo denúncias, representações judiciais, pedidos de investigação e trocas públicas de acusações.
Nos bastidores da política várzea-grandense, a discussão sobre a inadimplência do IPTU ganhou relevância porque a arrecadação do tributo é considerada uma das principais fontes de receita própria dos municípios. Os recursos são utilizados para custear serviços essenciais, investimentos em infraestrutura urbana, manutenção de vias públicas, saúde e educação. Quanto maior o índice de inadimplência, menor a capacidade de investimento da administração municipal.
A declaração de Moretti reforça um cenário de tensão permanente entre Executivo e Legislativo em Várzea Grande. Além das divergências sobre projetos administrativos, as duas instituições vêm protagonizando disputas políticas que frequentemente acabam impactando a tramitação de matérias consideradas estratégicas para a gestão municipal.
Enquanto a prefeita defende mudanças para ampliar a eficiência da arrecadação e fortalecer a capacidade financeira do município, vereadores da oposição argumentam que determinadas propostas exigem maior debate antes da aprovação. O impasse mantém aberta uma das principais discussões da política local: como aumentar a receita própria da segunda maior cidade de Mato Grosso sem ampliar a carga tributária sobre a população.
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