Proposta para adiar eleição da Mesa Diretora de Cuiabá avança e amplia disputa pelo comando da Câmara
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 02/06/2026
A disputa pelo comando da Câmara de Cuiabá ganhou um novo capítulo e pode alterar significativamente o cenário político do Legislativo municipal. A proposta que transfere a eleição da Mesa Diretora de agosto para novembro avançou na Casa de Leis e já reúne apoio superior ao mínimo necessário para tramitação, fortalecendo um debate que vai muito além de uma simples mudança de calendário.
Apresentada pelo vereador Mário Nadaf, a Proposta de Emenda à Lei Orgânica estabelece que a eleição da Mesa Diretora passe a ocorrer em 5 de novembro do segundo ano da legislatura, mantendo a posse para 1º de janeiro do biênio seguinte. Atualmente, a escolha da nova direção da Câmara está prevista para agosto.
O texto ganhou força após a recente decisão do ministro do STF, Dias Toffoli, que anulou a eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. Na avaliação do magistrado, eleições realizadas com muita antecedência ferem os princípios da contemporaneidade e da razoabilidade já consolidados pela Suprema Corte.
Inicialmente, eram necessárias nove assinaturas para que a proposta pudesse avançar. O número, porém, foi rapidamente superado. O projeto chegou a reunir 12 assinaturas na primeira etapa de articulação e, posteriormente, alcançou o apoio de 15 vereadores, consolidando sua tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).
Entre os parlamentares que aderiram ao texto estão nomes influentes da atual legislatura, incluindo a presidente da Câmara, Paula Calil, além de Samantha Iris, Dilemário Alencar, Demilson Nogueira, Cezinha Nascimento, Kássio Coelho, Maysa Leão, Rafael Ranalli, Maria Avalone e outros vereadores da base e de grupos independentes.
Na justificativa, Nadaf argumenta que a alteração busca adequar a legislação municipal ao entendimento mais recente do STF, reduzindo o risco de futuras contestações judiciais e garantindo maior segurança jurídica ao processo eleitoral interno da Câmara. O parlamentar também sustenta que uma eleição mais próxima da posse fortalece a legitimidade política da escolha e reduz interferências externas sobre o pleito.
Apesar da fundamentação jurídica, o tema tem forte impacto político. A mudança pode alterar completamente a dinâmica da disputa pela presidência da Câmara para o próximo biênio. Com a eleição ocorrendo após as eleições estaduais de 2026, vereadores que disputarem cargos eletivos poderão redefinir alianças e estratégias de acordo com os resultados das urnas.
O debate também ocorre em meio às articulações para uma possível reeleição de Paula Calil ao comando do Legislativo. A atual presidente conta com apoio de parte da base ligada ao prefeito Abilio Brunini e acompanha de perto as discussões sobre alterações regimentais que possam viabilizar uma nova candidatura à presidência da Casa.
Antes de chegar ao plenário, a proposta ainda precisará passar pelo crivo da CCJR, responsável por analisar a constitucionalidade e a legalidade da matéria. Caso receba parecer favorável, o texto seguirá para votação dos vereadores e poderá redefinir uma das disputas mais importantes da política cuiabana nos próximos meses.
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