Max Russi promete levar disputa territorial entre Mato Grosso e Pará até as últimas instâncias
Política POR: Redação
POSTADO EM: 08/06/2026
A disputa territorial entre Mato Grosso e Pará voltou a ganhar intensidade e promete se transformar em uma das principais batalhas institucionais envolvendo os dois estados nos próximos meses. O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), afirmou que o Parlamento estadual pretende esgotar todas as alternativas jurídicas e políticas para defender a incorporação de uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados atualmente reivindicada pelo Estado.
A declaração ocorre às vésperas de uma audiência de conciliação marcada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que volta a discutir o impasse histórico envolvendo a divisa entre os dois estados. Segundo Russi, independentemente da atuação do Governo de Mato Grosso nas negociações, a Assembleia manterá participação ativa na defesa do território que considera pertencer legitimamente aos mato-grossenses.
O parlamentar argumenta que a reivindicação não está baseada apenas em questões territoriais ou financeiras. Para ele, a principal preocupação é garantir atendimento adequado à população que vive na região contestada, formada por áreas atualmente vinculadas a municípios paraenses, mas que, segundo lideranças mato-grossenses, dependem fortemente dos serviços públicos oferecidos por Mato Grosso.
A área em disputa possui dimensão semelhante ao território do estado de Sergipe e abrange regiões ligadas aos municípios de Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia, todos localizados no Pará. O tema ganhou novos desdobramentos após o STF reconhecer, em julgamento anterior, os limites definidos em 1922, mas a discussão voltou à Corte após novos questionamentos e tentativas de revisão apresentadas por Mato Grosso.
A disputa ultrapassa a questão geográfica. A região possui potencial econômico relevante e representa uma área estratégica para atividades ligadas ao agronegócio, mineração e arrecadação de tributos. Ainda assim, Max Russi tem insistido que o foco principal deve ser a realidade enfrentada pelos moradores locais, que frequentemente recorrem a cidades mato-grossenses para acessar serviços de saúde, educação e infraestrutura.
O embate também ganhou contornos políticos após declarações da governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), que afirmou publicamente que o estado não pretende ceder “um palmo de terra” na disputa. A fala repercutiu entre lideranças mato-grossenses e elevou a tensão entre os dois lados. Em resposta, Russi argumentou que Mato Grosso possui melhores condições de atender a população da região e que a discussão deve priorizar os interesses dos moradores, não apenas a arrecadação dos estados envolvidos.
A expectativa agora está voltada para a audiência de conciliação no STF, considerada um passo decisivo para definir os próximos rumos do processo. Enquanto o Pará reafirma sua disposição de manter integralmente o território, Mato Grosso mobiliza equipes técnicas, parlamentares e sua procuradoria para sustentar a tese de que a área deve retornar ao mapa estadual.
Com forte impacto econômico, político e social, a disputa pela faixa territorial se tornou uma causa estratégica para Mato Grosso e tende a permanecer no centro das discussões institucionais nos próximos meses, independentemente do resultado das negociações em Brasília.
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