Cuiabá, 2026-09-06T08:42:29

Após cobranças sobre rodovia, Mauro acusa presidente do TCE de fazer “papagaiada”

Após cobranças sobre rodovia, Mauro acusa presidente do TCE de fazer “papagaiada”Política

POR: Redação

POSTADO EM: 15/06/2026

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Ex-governador afirma que falhas apontadas na rodovia já estão sendo corrigidas pelas empresas responsáveis e questiona manifestações públicas do presidente do Tribunal de Contas.

A fiscalização realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) em trechos da MT-170 abriu um novo capítulo de tensão política entre o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e o presidente da Corte de Contas, Sérgio Ricardo. Ao comentar as críticas feitas pelo conselheiro sobre problemas identificados na rodovia, Mauro reagiu de forma contundente e acusou o dirigente do TCE de promover “papagaiada” e “circo” em torno de uma situação que, segundo ele, já está sendo tratada pelo governo e pelas empresas responsáveis pela obra.

A polêmica surgiu após Sérgio Ricardo intensificar as cobranças sobre a qualidade da pavimentação da MT-170, rodovia estratégica para a região Noroeste de Mato Grosso. Durante vistoria realizada recentemente, o presidente do TCE apontou falhas no pavimento em determinados trechos e determinou a retomada de uma mesa técnica para acompanhar as correções necessárias.

Mauro, por sua vez, afirmou que problemas em obras públicas podem ocorrer e que os contratos firmados pelo Estado preveem mecanismos de garantia justamente para assegurar a correção de eventuais defeitos sem prejuízo ao patrimônio público.

Segundo ele, durante sua gestão foram executados aproximadamente 7 mil quilômetros de asfalto em Mato Grosso, todos com cláusulas contratuais que obrigam as empresas a responder pela qualidade dos serviços prestados. O ex-governador destacou que as construtoras responsáveis pela MT-170 já foram notificadas e iniciaram os procedimentos para recuperação dos trechos danificados após o encerramento do período chuvoso.

A rodovia se tornou uma das principais obras de infraestrutura do Estado nos últimos anos. O trecho, anteriormente pertencente à BR-174, foi estadualizado para viabilizar investimentos que permitissem a pavimentação e recuperação de mais de 270 quilômetros de estrada, ligando municípios importantes para a produção agrícola e o escoamento da safra mato-grossense.

Ao defender a condução do projeto, Mauro afirmou que o atual governo mantém a mesma linha de atuação adotada durante sua administração e que as providências exigidas pela legislação já estão sendo cumpridas. Para ele, a situação não justificaria a exposição pública promovida pelo presidente do TCE.

Além das críticas à fiscalização, o ex-governador ampliou o debate para o campo jurídico e institucional. Mauro argumentou que a Constituição Estadual equipara os conselheiros do Tribunal de Contas aos desembargadores em termos de prerrogativas e restrições funcionais. Com base nesse entendimento, sustentou que integrantes da Corte devem observar regras semelhantes às impostas aos magistrados, especialmente no que diz respeito à manifestação pública sobre processos em análise.

A declaração eleva a temperatura de um embate que vem ganhando espaço nos bastidores políticos de Mato Grosso. Sérgio Ricardo tem adotado uma postura mais incisiva na fiscalização de obras públicas e contratos estaduais, enquanto aliados do grupo político de Mauro avaliam que algumas manifestações extrapolam o papel técnico da instituição.

O episódio ocorre em um momento de reorganização do cenário político para as eleições de 2026. Mauro Mendes é apontado como um dos principais nomes na disputa por uma vaga ao Senado Federal, enquanto Sérgio Ricardo tem ampliado sua visibilidade pública à frente do Tribunal de Contas. A troca de críticas entre duas das figuras mais influentes do Estado tende a alimentar o debate sobre os limites entre fiscalização, gestão pública e atuação institucional nos próximos meses.

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