Em meio à disputa política, Mauro Mendes minimiza presença de Lula em inauguração de ferrovia
Política POR: Redação
POSTADO EM: 17/06/2026
O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), elevou o tom político ao comentar a possível presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na inauguração do primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, marcada para sábado (20), em Dom Aquino. Em declaração pública, Mauro minimizou o peso político da visita presidencial e afirmou que a obra só saiu do papel graças às mudanças legais promovidas pelo Governo de Mato Grosso.
A fala ocorre em um momento de forte movimentação política no Estado e em meio às articulações para as eleições de 2026. Embora o Palácio do Planalto ainda não tenha oficializado a agenda de Lula em Mato Grosso, aliados do PT trabalham nos bastidores para garantir a presença do presidente no evento, considerado estratégico para o setor logístico e para o agronegócio.
Mauro Mendes, no entanto, deixou claro que considera a ferrovia resultado direto da atuação estadual e da abertura para investimentos privados. Segundo ele, a gestão mato-grossense criou a base jurídica necessária para permitir a execução do projeto sem utilização de recursos públicos.
“O Estado fez a lei, alterou regras, criou o edital e garantiu segurança jurídica para que a iniciativa privada pudesse investir”, afirmou o ex-governador ao defender o modelo adotado na implantação da ferrovia.
O primeiro trecho operacional liga Rondonópolis ao terminal multimodal instalado às margens da BR-070. O investimento gira em torno de R$ 5 bilhões e integra um dos maiores projetos privados de infraestrutura em andamento no país. A obra faz parte da malha ferroviária estadual que deve alcançar aproximadamente 743 quilômetros de extensão, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, além de incluir um ramal até Cuiabá.
A expectativa do setor produtivo é de que a ferrovia reduza custos logísticos, fortaleça o escoamento da safra mato-grossense e aumente a competitividade do agronegócio nacional. O projeto atravessa 16 municípios e é tratado por lideranças empresariais como peça estratégica para o crescimento econômico do Estado nas próximas décadas.
Durante a declaração, Mauro também reforçou a tese de que o poder público deve atuar como articulador e não necessariamente como financiador direto das grandes obras estruturantes. Segundo ele, a experiência da ferrovia comprova que a iniciativa privada responde com rapidez quando há estabilidade regulatória e segurança institucional.
A possível presença de Lula no evento provocou reação imediata nos bastidores políticos, principalmente porque Mato Grosso é considerado um dos principais redutos conservadores do país e mantém forte alinhamento com setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A inauguração, que inicialmente tinha perfil técnico e empresarial, passou a ganhar contornos eleitorais e simbólicos.
Mauro evitou confronto direto com o presidente, mas sinalizou desconforto com qualquer tentativa de atribuir ao governo federal o protagonismo sobre o empreendimento. O ex-governador afirmou que a organização do evento é responsabilidade da concessionária Rumo Logística, empresa responsável pela concessão estadual da ferrovia.
“Eu fui convidado, assim como centenas de pessoas. O presidente também pode ter sido convidado. Quem define isso é a empresa organizadora”, declarou.
A leitura política é de que a presença de Lula em Mato Grosso pode servir como tentativa do PT de ampliar espaço no Estado, especialmente em meio ao avanço das discussões eleitorais para o Senado e para o governo estadual. Já aliados de Mauro Mendes trabalham para consolidar a imagem de gestor responsável pelas grandes obras de infraestrutura executadas nos últimos anos.
A inauguração da ferrovia deve reunir empresários, representantes do agronegócio, lideranças políticas e autoridades estaduais e federais. Independentemente da confirmação da agenda presidencial, o evento já se transformou em mais um capítulo da disputa narrativa entre o grupo político de Mauro Mendes e o governo federal.
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