Governador rejeita intervenção no DAE, afasta privatização e promete solução para abastecimento em Várzea Grande
Política POR: Redação
POSTADO EM: 15/07/2026
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afastou a possibilidade de uma intervenção do Governo de Mato Grosso no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG) e também descartou, neste momento, qualquer iniciativa para privatizar a autarquia. Em meio à crise no abastecimento que afeta milhares de moradores do município, o chefe do Executivo estadual afirmou que a prioridade é construir uma solução técnica em parceria com a Prefeitura, baseada em investimentos e obras capazes de ampliar a distribuição de água sem retirar a gestão do serviço do poder municipal.
A manifestação ocorre em um momento de intensa pressão sobre o DAE. Nos últimos dias, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) reforçou a recomendação para que o Ministério Público avalie a adoção de uma intervenção judicial na autarquia, apontando problemas administrativos, financeiros e operacionais que comprometem a prestação do serviço. O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), também declarou apoio à medida caso ela seja formalizada.
Apesar desse cenário, Pivetta afirmou que o Governo nunca defendeu uma intervenção administrativa. Segundo ele, o foco da equipe estadual está na elaboração de um diagnóstico detalhado sobre o sistema de abastecimento para identificar os principais gargalos, definir as obras necessárias e estabelecer um cronograma de investimentos. A expectativa é de que esse plano de ação seja concluído ainda nesta semana.
O governador explicou que o Estado poderá executar diretamente algumas ações ou prestar apoio técnico e financeiro à administração municipal, sempre com o objetivo de garantir que a água chegue regularmente às residências de Várzea Grande. Para ele, a recuperação do sistema depende de planejamento, investimentos em infraestrutura e aquisição de equipamentos, e não necessariamente da substituição da atual estrutura administrativa do DAE.
Outro ponto abordado por Pivetta foi a possibilidade de concessão dos serviços à iniciativa privada. O governador descartou essa hipótese, afirmando que a situação financeira da autarquia inviabiliza o interesse do mercado. O DAE acumula um passivo estimado em cerca de R$ 315 milhões, sendo aproximadamente R$ 172 milhões em débitos relacionados ao fornecimento de energia elétrica e cerca de R$ 143 milhões em dívidas judiciais. Segundo ele, nenhuma empresa demonstra disposição para assumir uma estrutura com esse nível de endividamento.
Pivetta também destacou que o DAE possui servidores experientes, que conhecem profundamente o funcionamento do sistema e podem contribuir para a recuperação do abastecimento. Na avaliação do governador, o conhecimento técnico desses profissionais será fundamental para a execução das medidas que estão sendo planejadas pelo Estado em conjunto com a Prefeitura de Várzea Grande.
A crise no fornecimento de água se tornou um dos principais desafios da gestão da prefeita Flávia Moretti (PL). Nos últimos meses, moradores de diversos bairros enfrentaram interrupções frequentes no abastecimento, aumentando a pressão por uma solução definitiva. O tema também ganhou espaço no debate político estadual, envolvendo Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, Ministério Público e Governo do Estado.
Com a negativa de intervenção e de privatização, a estratégia do Palácio Paiaguás passa a ser a construção de uma força-tarefa voltada à recuperação da infraestrutura do sistema. O plano estadual deverá apontar quais obras serão executadas, os investimentos necessários e a participação do Estado no processo, numa tentativa de enfrentar um problema histórico que há anos compromete o abastecimento de água em Várzea Grande.
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