Ilde Taques diz que Prefeito rompeu com a base aliada e anuncia atuação independente na Câmara de Cuiabá
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 15/07/2026
A crise política entre o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e parte dos vereadores que integravam sua base de sustentação ganhou um novo capítulo. O vereador Ilde Taques (Podemos) afirmou que o rompimento não foi provocado pelos parlamentares, mas sim pelo próprio chefe do Executivo, após um grupo de vereadores decidir não acompanhar o projeto político defendido pelo Palácio Alencastro para a sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal.
Segundo o parlamentar, a decisão de permanecer independente decorre da postura adotada pelo prefeito diante da disputa pelo comando do Legislativo. Ilde sustenta que a base governista não abandonou a administração, mas passou a ser afastada por não concordar com a tentativa de reconduzir a atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL), ao cargo. Na avaliação do vereador, o desgaste foi provocado por uma escolha unilateral do Executivo, que teria restringido o diálogo com os parlamentares que defenderam um projeto diferente para a eleição da Mesa Diretora.
Ilde também fez questão de afastar as especulações sobre uma possível interferência do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (Podemos), nas decisões da bancada municipal do partido. De acordo com o vereador, Russi sempre respeitou a autonomia dos parlamentares de Cuiabá e nunca orientou como deveriam se posicionar em relação à Prefeitura ou à eleição da Mesa Diretora.
O vereador afirmou que a definição pela independência foi construída exclusivamente dentro da Câmara Municipal e que continuará exercendo seu mandato sem alinhamento automático ao Executivo. Segundo ele, a condução das articulações pelo Palácio Alencastro acabou inviabilizando a permanência de parte dos vereadores na base governista.
A declaração ocorre em meio ao acirramento da disputa pelo comando da Câmara de Cuiabá. Nas últimas semanas, o debate sobre a possibilidade de reeleição de Paula Calil provocou uma série de embates entre vereadores, ações judiciais e questionamentos sobre a atuação da Prefeitura no processo político interno do Legislativo. Paralelamente, o Município ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça de Mato Grosso para questionar dispositivos do Regimento Interno da Câmara, entre eles a exigência de quórum qualificado para determinadas votações, medida que acabou ampliando a tensão entre os dois Poderes.
Enquanto parte dos vereadores afirma que o Executivo tenta influenciar diretamente a sucessão da Mesa Diretora, Abilio Brunini nega qualquer interferência e sustenta que a ação judicial tem como objetivo apenas modernizar regras que, segundo ele, dificultam a aprovação de projetos estratégicos para o desenvolvimento da capital. Mesmo assim, o ambiente político permanece dividido e a relação entre Prefeitura e Câmara atravessa um dos momentos mais delicados desde o início da atual legislatura.
O posicionamento de Ilde Taques evidencia que o racha vai além da eleição da Mesa Diretora e pode produzir reflexos na tramitação de projetos de interesse do Executivo. Com parte dos vereadores adotando postura de independência, o prefeito poderá enfrentar maior dificuldade para construir maioria em votações consideradas estratégicas, aumentando o peso das negociações políticas dentro do Legislativo cuiabano.
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