Wellington endurece discurso, cobra lealdade no PL e admite expulsão de prefeitos que apoiarem adversários
Política POR: Redação
POSTADO EM: 22/07/2026
O senador Wellington Fagundes (PL) elevou o tom do discurso na reta final das convenções partidárias e deixou claro que o Partido Liberal cobrará fidelidade de seus filiados durante a disputa pelo Governo de Mato Grosso. Sem citar diretamente uma punição específica, o pré-candidato afirmou que a lealdade partidária é um princípio inegociável e sinalizou que prefeitos da legenda que optarem por apoiar adversários poderão até deixar o partido. A declaração ocorre em meio ao crescimento das manifestações públicas de gestores municipais do PL favoráveis à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A reação do senador foi motivada, principalmente, pela decisão do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), de declarar apoio ao projeto de reeleição de Pivetta. O prefeito de Campo Novo do Parecis, Edilson Piaia (PL), também já demonstrou alinhamento ao governador, movimento que ampliou o desconforto dentro da direção estadual do partido e acendeu um alerta sobre a necessidade de manter a unidade da legenda durante a campanha.
Durante entrevistas concedidas em Rondonópolis, Wellington reforçou que quem escolhe permanecer no PL deve respeitar as decisões partidárias. Segundo ele, fidelidade não é apenas uma regra eleitoral, mas um compromisso político firmado por todos os integrantes da sigla. Embora tenha evitado anunciar medidas imediatas, o senador deixou claro que a direção partidária tratará o assunto após a oficialização das candidaturas.
A declaração reforça uma posição que já vinha sendo defendida pela cúpula estadual do Partido Liberal. Nos últimos meses, o presidente regional da legenda, Ananias Filho, também afirmou que o partido não pretende manter em seus quadros lideranças que façam campanha para adversários, indicando que prefeitos e demais filiados terão de decidir entre seguir a candidatura oficial ou buscar outro caminho político.
O impasse evidencia uma das principais dificuldades enfrentadas pelo PL nesta eleição. Apesar de Wellington ser o nome oficial da legenda para disputar o Palácio Paiaguás, parte dos prefeitos liberais mantém boa relação institucional com Pivetta, que ocupa o governo do Estado e tem intensificado agendas ao lado de gestores municipais. A proximidade administrativa, marcada pela liberação de investimentos e obras, vem fortalecendo a aproximação entre o governador e lideranças do próprio PL, gerando uma divisão interna inédita na legenda.
Outro exemplo desse cenário é o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). Embora tenha reafirmado que seguirá a orientação partidária e apoiará Wellington durante a campanha, ele também reconheceu publicamente sua amizade com Pivetta e afirmou que continuará mantendo uma relação pessoal de respeito com o governador. O posicionamento demonstra o delicado equilíbrio que diversas lideranças do partido tentam manter entre a fidelidade política e as alianças construídas ao longo dos últimos anos.
Enquanto busca conter dissidências, Wellington confirmou que a convenção estadual do PL será realizada nesta quarta-feira (22), quando sua candidatura ao Governo de Mato Grosso e a do deputado federal José Medeiros ao Senado serão oficializadas. A definição do candidato a vice-governador ficará para os próximos dias, dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. A expectativa da direção partidária é que, após a homologação das candidaturas, a legenda consiga unificar seu discurso e reduzir os focos de divergência que vêm marcando os bastidores da corrida pelo Palácio Paiaguás.
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