Paula Calil cobra relatório da comissão do assédio e rebate vereadora durante sessão na Câmara
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 24/07/2026
A sessão ordinária da Câmara de Cuiabá desta quinta-feira (23) foi marcada por um embate entre a presidente da Casa, Paula Calil (PL), e a vereadora Maria Avallone (PSDB) em torno dos trabalhos da Comissão Especial criada para apurar a denúncia de assédio sexual envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite. O ponto central da discussão foi a demora na conclusão do relatório final da comissão, cujo prazo, segundo Paula, já havia sido ultrapassado.
Ao cobrar celeridade na apresentação do parecer, Paula Calil demonstrou surpresa ao ouvir de Maria Avallone que o relatório vinha sendo elaborado com auxílio da Procuradoria da Câmara. A presidente afirmou que a responsabilidade pela produção e assinatura do documento cabe exclusivamente às parlamentares designadas para integrar a comissão, destacando que a atuação da Procuradoria deve ocorrer apenas após o protocolo do relatório, na análise jurídica do procedimento.
Durante a sessão, Maria Avallone explicou que o procurador-geral da Câmara auxiliava na redação do documento, mas afirmou que tanto ela quanto a presidente da comissão, vereadora Dra. Mara, solicitaram alterações por entenderem que parte do texto não refletia adequadamente os depoimentos colhidos ao longo da investigação. Segundo a parlamentar, o documento passa por ajustes antes de ser encaminhado oficialmente à Mesa Diretora.
Paula rebateu a justificativa e reforçou que a comissão recebeu do plenário a atribuição de conduzir toda a apuração e produzir suas próprias conclusões. Na avaliação da presidente, a terceirização da elaboração do parecer compromete o papel institucional dos vereadores e não segue o rito previsto para o funcionamento das comissões especiais da Câmara.
A investigação teve início após a denúncia de suposto assédio sexual envolvendo William Leite, que à época ocupava a Secretaria Municipal de Trabalho. O caso ganhou ampla repercussão política no começo do ano e levou à exoneração do então secretário pelo prefeito Abilio Brunini (PL), poucos dias depois da divulgação das acusações. Em seguida, a Câmara instituiu uma comissão especial para acompanhar os fatos e produzir um relatório sobre o caso.
Mesmo meses após a instalação da comissão, o parecer ainda não foi concluído, situação que passou a gerar cobranças públicas dentro do Legislativo municipal. Paula Calil afirmou que o documento precisa ser protocolado o quanto antes para que seja lido em plenário, analisado pelos vereadores e encaminhado às etapas regimentais seguintes, garantindo transparência sobre as conclusões da investigação.
Conforme o procedimento previsto pela Câmara, após a entrega do relatório à Presidência, o documento passa por análise da Procuradoria da Casa quanto aos aspectos jurídicos. Somente depois dessa etapa ele pode ser levado ao plenário para conhecimento e deliberação dos parlamentares, encerrando formalmente os trabalhos da comissão.
O episódio evidencia a pressão para que a investigação tenha um desfecho e reforça a expectativa em torno das conclusões da comissão especial. Além do impacto administrativo, o caso continua repercutindo no ambiente político da Capital, principalmente pelo envolvimento de um ex-integrante da gestão municipal e pela cobrança por uma resposta institucional sobre as denúncias.
Baixada Cuiabana
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