Cuiabá, 2026-07-29T17:44:05

Katiuscia reage a Samantha e denuncia tratamento desigual às mulheres na política de Cuiabá

Katiuscia reage a Samantha e denuncia tratamento desigual às mulheres na política de CuiabáBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 29/07/2026

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A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou um novo capítulo e expôs um racha entre vereadoras da capital. A parlamentar Katiuscia Mantelli (Podemos) respondeu às críticas da primeira-dama e vereadora Samantha Iris (PL) e afirmou que mulheres na política continuam sendo tratadas de forma diferente dos homens, especialmente quando ocupam espaços de poder ou tomam decisões independentes dentro dos grupos políticos.

O embate ocorre em meio às articulações para a eleição da Mesa Diretora da Câmara, marcada para os próximos meses, e tem como pano de fundo a possibilidade de uma nova candidatura da atual presidente da Casa, Paula Calil (PL). Samantha defende mudanças no Regimento Interno para permitir que Paula dispute novamente o comando do Legislativo e argumenta que o debate envolve a garantia do direito de candidatura de uma mulher.

Ao rebater a primeira-dama, Katiuscia afirmou que o discurso da representatividade feminina não pode ser utilizado para pressionar vereadoras a apoiarem obrigatoriamente candidaturas de outras mulheres. Segundo ela, alianças políticas são construídas por homens e mulheres e a defesa da participação feminina não significa que parlamentares devam votar apenas em candidatas do mesmo gênero.

A vereadora também criticou o que classificou como uma tentativa de colocar a sociedade contra mulheres que divergem da posição defendida por Samantha. Para Katiuscia, quando homens tomam decisões políticas semelhantes, raramente são cobrados com a mesma intensidade, enquanto mulheres passam a ser questionadas por suposta falta de solidariedade entre si.

Segundo ela, a atual Mesa Diretora, composta integralmente por mulheres, só foi possível graças ao apoio de vereadores homens, o que demonstra que a construção política depende de articulações amplas e não apenas de identidade de gênero. Katiuscia citou ainda sua relação política com o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), como exemplo de liderança construída em conjunto com aliados de diferentes perfis.

O tom do confronto aumentou quando a vereadora questionou diretamente o discurso da primeira-dama sobre apoio feminino. Katiuscia perguntou quantas mulheres Samantha pretende apoiar nas próximas eleições e citou o exemplo da vereadora Maisa Leão, sugerindo que o argumento da representatividade precisa ser aplicado de forma coerente também nas escolhas eleitorais.

Nos bastidores da Câmara, o episódio é interpretado como parte da disputa entre o grupo ligado ao prefeito Abílio Brunini (PL) e parlamentares alinhados a outras lideranças políticas da capital, especialmente ao entorno de Max Russi. A tentativa de alterar o Regimento Interno para permitir uma nova candidatura de Paula Calil tornou-se um dos principais focos de tensão dentro do Legislativo cuiabano.

A discussão também reacende um debate recorrente sobre a participação feminina na política brasileira. Enquanto um grupo defende mecanismos que ampliem o acesso das mulheres aos espaços de comando, outro sustenta que a autonomia política das parlamentares não pode ser condicionada a apoios automáticos baseados apenas no gênero.

Com oito vereadoras atualmente na Câmara de Cuiabá, a maior representação feminina da história do Legislativo municipal, o episódio evidencia que a ampliação da presença das mulheres na política não eliminou divergências internas, disputas por liderança e diferenças de estratégia entre parlamentares que compartilham o mesmo espaço institucional.

A eleição da próxima Mesa Diretora promete intensificar ainda mais essas articulações e pode redefinir o equilíbrio de forças dentro da Câmara Municipal, influenciando diretamente a relação entre o Legislativo e o Executivo de Cuiabá nos próximos anos.

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