Cuiabá, 2026-10-21T20:01:42

Flávia admite risco de demissões em Várzea Grande após bloqueio de R$ 19 milhões e dívida bilionária

Flávia admite risco de demissões em Várzea Grande após bloqueio de R$ 19 milhões e dívida bilionáriaBaixada Cuiabana

POR: Redação

POSTADO EM: 29/07/2026

COMPARTILHE:

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), admitiu pela primeira vez que a prefeitura poderá promover demissões de servidores municipais caso a situação financeira do município continue se agravando. A declaração foi feita durante agenda no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), em meio às negociações para tentar reduzir os impactos do bloqueio judicial de R$ 19 milhões nas contas da administração municipal e do passivo de aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios acumulado ao longo de décadas.

Segundo a prefeita, nenhuma hipótese está descartada neste momento, inclusive cortes de pessoal, porque a prefeitura ainda não conseguiu uma decisão judicial que suspenda o arresto das contas municipais. Em tom emocionado, Flávia afirmou que a gestão tem sido obrigada a fazer escolhas difíceis entre pagar precatórios, manter salários em dia e garantir a compra de medicamentos e a continuidade dos serviços públicos essenciais.

O município está sob decreto de calamidade financeira e fiscal desde 16 de julho, medida que alcança tanto a Prefeitura quanto o Departamento de Água e Esgoto (DAE), responsável por boa parte do passivo relacionado aos precatórios. De acordo com a prefeita, cerca de R$ 550 milhões da dívida total pertencem ao DAE, o que amplia ainda mais a pressão sobre as contas públicas de Várzea Grande. Flávia argumenta que a atual administração desembolsa mais de R$ 6 milhões por mês apenas para quitar precatórios herdados de gestões anteriores, valor muito superior ao registrado nos últimos anos. S

egundo ela, enquanto a administração passada pagava parcelas entre R$ 700 mil e R$ 2,5 milhões, a atual gestão assumiu uma obrigação fixa de aproximadamente R$ 6,4 milhões mensais. Apenas em 2025, afirma a prefeita, já foram destinados cerca de R$ 40 milhões para pagamento de precatórios, montante que, segundo ela, supera o total desembolsado durante todo o mandato anterior. A declaração ocorre em um momento de forte tensão política e administrativa em Várzea Grande. A prefeitura enfrenta dificuldades para manter investimentos, ampliar a capacidade de atendimento dos serviços públicos e reorganizar as finanças municipais, enquanto também negocia alternativas para o futuro do sistema de abastecimento de água da cidade. A crise dos precatórios tornou-se o principal desafio da gestão e passou a influenciar diretamente decisões sobre orçamento, folha de pagamento e planejamento administrativo.

Durante a reunião no Tribunal de Contas, o presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo, e o conselheiro Antônio Joaquim discutiram mecanismos para buscar uma solução negociada para o pagamento dos precatórios. Antônio Joaquim destacou que o problema não foi criado pela atual administração, mas resulta de aproximadamente quatro décadas de acúmulo de dívidas judiciais e da ausência de uma política permanente de quitação dessas obrigações. O conselheiro também questionou o fato de a prefeitura arcar praticamente sozinha com os pagamentos, enquanto o DAE, apesar de concentrar grande parte da dívida, não possui capacidade financeira para contribuir de forma significativa.

O Tribunal de Contas sinalizou disposição para auxiliar o município na construção de alternativas jurídicas e financeiras que permitam reorganizar o passivo e reduzir o impacto sobre os cofres públicos. A expectativa é que o caso de Várzea Grande possa servir de referência para outros municípios mato-grossenses que também enfrentam dificuldades relacionadas ao pagamento de precatórios.

A possibilidade de demissões amplia a pressão sobre a administração municipal e pode repercutir diretamente na relação da prefeita com servidores, sindicatos e vereadores, especialmente em um momento em que a cidade já convive com debates sobre reestruturação administrativa, concessão de serviços públicos e busca por apoio financeiro estadual e federal. A evolução das negociações no Judiciário e no Tribunal de Contas será decisiva para definir se a prefeitura conseguirá evitar medidas mais drásticas nas próximas semanas. Até lá, a própria prefeita resume o cenário de incerteza: todas as alternativas permanecem sobre a mesa.

PUBLICIDADE

Baixada Cuiabana

Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea Grande

Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea Grande

Paula Calil diz que suspeitas contra vereadores são individuais e não representam Câmara de Cuiabá

Paula Calil diz que suspeitas contra vereadores são individuais e não representam Câmara de Cuiabá

Câmara de Cuiabá aguarda apuração do Gaeco após vereadores serem alvos de operação

Câmara de Cuiabá aguarda apuração do Gaeco após vereadores serem alvos de operação

Flávia Moretti deixa futuro de Ananias no PL nas mãos de Valdemar Costa Neto

Flávia Moretti deixa futuro de Ananias no PL nas mãos de Valdemar Costa Neto

Publicidade PUBLICIDADE

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mauro Mendes entra na disputa por dois ministérios em eventual governo de Flávio Bolsonaro

Mauro Mendes entra na disputa por dois ministérios em eventual governo de Flávio Bolsonaro

Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea Grande

Gaeco apura uso de cartas de renúncia e gravações para pressionar vereadores em Várzea Grande

ALMT vota empréstimo de R$ 1,5 bilhão de Pivetta com previsão de 60 mil casas populares

ALMT vota empréstimo de R$ 1,5 bilhão de Pivetta com previsão de 60 mil casas populares