Flávia admite risco de demissões em Várzea Grande após bloqueio de R$ 19 milhões e dívida bilionária
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 29/07/2026
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), admitiu pela primeira vez que a prefeitura poderá promover demissões de servidores municipais caso a situação financeira do município continue se agravando. A declaração foi feita durante agenda no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), em meio às negociações para tentar reduzir os impactos do bloqueio judicial de R$ 19 milhões nas contas da administração municipal e do passivo de aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios acumulado ao longo de décadas.
Segundo a prefeita, nenhuma hipótese está descartada neste momento, inclusive cortes de pessoal, porque a prefeitura ainda não conseguiu uma decisão judicial que suspenda o arresto das contas municipais. Em tom emocionado, Flávia afirmou que a gestão tem sido obrigada a fazer escolhas difíceis entre pagar precatórios, manter salários em dia e garantir a compra de medicamentos e a continuidade dos serviços públicos essenciais.
O município está sob decreto de calamidade financeira e fiscal desde 16 de julho, medida que alcança tanto a Prefeitura quanto o Departamento de Água e Esgoto (DAE), responsável por boa parte do passivo relacionado aos precatórios. De acordo com a prefeita, cerca de R$ 550 milhões da dívida total pertencem ao DAE, o que amplia ainda mais a pressão sobre as contas públicas de Várzea Grande. Flávia argumenta que a atual administração desembolsa mais de R$ 6 milhões por mês apenas para quitar precatórios herdados de gestões anteriores, valor muito superior ao registrado nos últimos anos. S
egundo ela, enquanto a administração passada pagava parcelas entre R$ 700 mil e R$ 2,5 milhões, a atual gestão assumiu uma obrigação fixa de aproximadamente R$ 6,4 milhões mensais. Apenas em 2025, afirma a prefeita, já foram destinados cerca de R$ 40 milhões para pagamento de precatórios, montante que, segundo ela, supera o total desembolsado durante todo o mandato anterior. A declaração ocorre em um momento de forte tensão política e administrativa em Várzea Grande. A prefeitura enfrenta dificuldades para manter investimentos, ampliar a capacidade de atendimento dos serviços públicos e reorganizar as finanças municipais, enquanto também negocia alternativas para o futuro do sistema de abastecimento de água da cidade. A crise dos precatórios tornou-se o principal desafio da gestão e passou a influenciar diretamente decisões sobre orçamento, folha de pagamento e planejamento administrativo.
Durante a reunião no Tribunal de Contas, o presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo, e o conselheiro Antônio Joaquim discutiram mecanismos para buscar uma solução negociada para o pagamento dos precatórios. Antônio Joaquim destacou que o problema não foi criado pela atual administração, mas resulta de aproximadamente quatro décadas de acúmulo de dívidas judiciais e da ausência de uma política permanente de quitação dessas obrigações. O conselheiro também questionou o fato de a prefeitura arcar praticamente sozinha com os pagamentos, enquanto o DAE, apesar de concentrar grande parte da dívida, não possui capacidade financeira para contribuir de forma significativa.
O Tribunal de Contas sinalizou disposição para auxiliar o município na construção de alternativas jurídicas e financeiras que permitam reorganizar o passivo e reduzir o impacto sobre os cofres públicos. A expectativa é que o caso de Várzea Grande possa servir de referência para outros municípios mato-grossenses que também enfrentam dificuldades relacionadas ao pagamento de precatórios.
A possibilidade de demissões amplia a pressão sobre a administração municipal e pode repercutir diretamente na relação da prefeita com servidores, sindicatos e vereadores, especialmente em um momento em que a cidade já convive com debates sobre reestruturação administrativa, concessão de serviços públicos e busca por apoio financeiro estadual e federal. A evolução das negociações no Judiciário e no Tribunal de Contas será decisiva para definir se a prefeitura conseguirá evitar medidas mais drásticas nas próximas semanas. Até lá, a própria prefeita resume o cenário de incerteza: todas as alternativas permanecem sobre a mesa.
Baixada Cuiabana
Abílio reage a protesto, minimiza “Fora, Abilio” e ironiza Emanuel: “Pior seria ter o apoio dele”
Flávia admite risco de demissões em Várzea Grande após bloqueio de R$ 19 milhões e dívida bilionária
Câmara autoriza remanejamento milionário e Prefeitura busca acelerar serviços essenciais em Várzea Grande
PUBLICIDADE
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Katiuscia reage a Samantha e denuncia tratamento desigual às mulheres na política de Cuiabá
Abílio reage a protesto, minimiza “Fora, Abilio” e ironiza Emanuel: “Pior seria ter o apoio dele”
Max Russi aposta em crescimento do Podemos e prevê seis cadeiras na Assembleia e uma na Câmara
