Após derrota na Câmara, Ranalli defende que Abilio adie votação da LDO para outubro
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 11/08/2026
O vereador Rafael Ranalli (PL) defendeu o adiamento da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 na Câmara de Cuiabá e afirmou que o atual ambiente político da Casa não favorece uma discussão técnica sobre o planejamento financeiro do município. Para o parlamentar, a disputa pela Mesa Diretora e as eleições de 2026 podem transformar a análise do projeto em instrumento de confronto contra o prefeito Abilio Brunini (PL).
A declaração foi feita nesta terça-feira (11), após o prefeito anunciar que pretende reenviar a LDO somente na segunda quinzena de outubro. Ranalli afirmou que a base governista concordou com a estratégia e avaliou que o adiamento poderá reduzir a interferência das disputas eleitorais sobre uma matéria considerada essencial para a administração pública.
“Não é o momento do Abilio mandar agora a LDO”, afirmou o vereador, ao explicar que a Câmara vive simultaneamente duas disputas políticas: a eleição para a Mesa Diretora, que definirá o comando da Casa no biênio 2027/2028, e a própria eleição geral deste ano.
Na avaliação de Ranalli, manter a discussão da LDO em um ambiente de forte polarização poderia fazer com que o projeto fosse utilizado como “palanque eleitoral” por vereadores que são candidatos ou apoiam nomes que estarão na disputa por cargos estaduais e federais. Segundo ele, eventuais críticas ao texto poderiam acabar sendo direcionadas politicamente contra a gestão municipal.
O impasse começou depois que a proposta da LDO sofreu uma derrota inédita na Câmara de Cuiabá. O projeto recebeu apenas 12 votos favoráveis, dois a menos do que o quórum necessário para aprovação. Após o resultado, Abilio atribuiu a rejeição à antecipação da disputa pela presidência da Câmara e à polarização política entre os vereadores.
A estratégia definida pelo prefeito agora prevê separar o calendário das duas principais peças do planejamento orçamentário. A intenção é encaminhar a Lei Orçamentária Anual (LOA) para que os vereadores possam iniciar a análise técnica, enquanto a LDO seria reapresentada posteriormente, em um momento considerado politicamente mais adequado.
A LDO é fundamental para definir as prioridades e metas da administração pública e orientar a elaboração do orçamento do ano seguinte. Por isso, apesar da disputa política, o adiamento não elimina a necessidade de aprovação da matéria pelo Legislativo antes da votação definitiva da LOA.
Ranalli, entretanto, considera que o novo cronograma dará mais tempo para que os vereadores discutam o conteúdo da proposta sem a pressão imediata das disputas internas. O parlamentar argumenta ainda que, na avaliação da base governista, o adiamento não provocará prejuízo imediato à população.
“Essa discussão pode ser levada à frente até porque não tem o prazo, então não vai causar prejuízo para a cidade em nenhum momento”, afirmou.
O vereador também apontou que o cenário eleitoral pode atingir diretamente o prefeito. Abilio Brunini pretende participar ativamente das articulações para as eleições de 2026, enquanto sua esposa, Samantha Iris, também está envolvida no processo eleitoral. Além disso, vereadores da Câmara já se movimentam em torno de candidaturas próprias ou de aliados.
Na avaliação de Ranalli, esse ambiente aumenta o risco de que uma discussão sobre orçamento público seja contaminada por interesses eleitorais. “A cidade não precisa disso nesse momento”, resumiu.
A disputa pela Mesa Diretora é outro fator de pressão. A sucessão interna da Câmara já movimenta os vereadores meses antes da eleição e criou uma divisão que, segundo o próprio Executivo, contribuiu para a rejeição da LDO. O comando da Casa para 2027 e 2028 terá impacto direto na relação entre Legislativo e Executivo durante a próxima etapa da gestão municipal.
Enquanto a nova proposta não é encaminhada, as sessões ordinárias continuam normalmente, permitindo que os vereadores mantenham a fiscalização sobre a administração de Abilio. O desafio será evitar que a pausa na tramitação da LDO seja interpretada como uma tentativa de reduzir o papel do Legislativo no debate orçamentário.
O episódio evidencia que a eleição de 2026 já começou a interferir na política cuiabana, mesmo antes do início oficial da campanha. Na Câmara Municipal, decisões administrativas passaram a ser analisadas também sob a ótica das disputas eleitorais e da sucessão interna da própria Casa.
Ao defender o adiamento, Ranalli aposta que um intervalo de algumas semanas poderá diminuir a temperatura política e permitir que a LDO volte ao plenário em um ambiente menos contaminado pela disputa eleitoral. Até lá, porém, a relação entre Abilio e os vereadores continuará sendo um dos principais pontos de atenção da política de Cuiabá.
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