Janaina admite dificuldades no MDB e diz que não pressiona mulheres a disputar eleição
Política POR: Redação
POSTADO EM: 19/08/2026
A presidente estadual do MDB e candidata ao Senado, Janaina Riva, decidiu se manifestar sobre a sequência de desistências que atingiu o partido em Mato Grosso e afirmou que não pretende pressionar mulheres a permanecerem em chapas eleitorais contra a própria vontade. Em meio às baixas que envolvem nomes considerados importantes para a disputa de 2026, a deputada estadual atribuiu parte da instabilidade ao cenário financeiro da campanha e à demora na liberação dos recursos do Fundo Eleitoral.
O MDB sofreu nos últimos dias uma série de mudanças em suas chapas. A primeira baixa ocorreu na própria composição de Janaina para o Senado, com a saída da ex-delegada Ana Cristina Feldner da primeira suplência. Em seguida, a vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia Rosa, desistiu da candidatura a deputada estadual, assim como o apresentador de televisão Leandro Damiani. A ex-prefeita de Sinop Rosana Martinelli também demonstrou insatisfação com a decisão da legenda de não lançar candidatos a deputado federal.
Questionada sobre o cenário, Janaina afirmou que a participação feminina na política ainda enfrenta obstáculos e avaliou que a liberação do Fundo Eleitoral aumentou a insegurança entre as candidatas. O Tribunal Superior Eleitoral liberou os recursos na terça-feira (18), justamente em um momento em que as legendas intensificam a organização das campanhas.
“É muito difícil para a mulher na política, a mulher encontra diversos obstáculos”, afirmou Janaina, ao destacar que ainda existe dificuldade para tornar a disputa eleitoral mais equilibrada entre homens e mulheres.
A dirigente também rejeitou qualquer tentativa de obrigar candidatas a permanecerem nas chapas. Segundo ela, a orientação dentro do MDB é para que cada mulher tome sua própria decisão sobre disputar ou não a eleição.
“A mulher é mais segura na hora da decisão. A diferença é que aqui eu não pressiono mulher a ficar em chapa, aliás, eu incentivo a fazerem aquilo que é de vontade própria”, afirmou.
Janaina também fez uma crítica indireta a promessas que, segundo ela, podem ser feitas durante a montagem das chapas sem que exista capacidade financeira para cumpri-las. A candidata afirmou que prefere deixar claras as limitações do partido a criar expectativas que não poderão ser atendidas durante a campanha.
A presidente do MDB ainda negou que a legenda esteja recrutando mulheres apenas para completar chapas e cumprir as exigências da legislação eleitoral. Segundo ela, somente devem permanecer na disputa aquelas que efetivamente desejam concorrer e trabalhar pela própria eleição.
“Não vamos usar mulheres para a escada dentro do partido”, declarou.
O discurso ocorre justamente após a saída de Vânia Rosa, que chegou a ser considerada um dos principais nomes do MDB para a Assembleia Legislativa. A desistência da vice-prefeita de Cuiabá também produz reflexos na relação política com o prefeito Abilio Brunini, que agora admite a possibilidade de deixar a Prefeitura sob o comando de Vânia durante eventual licença para participar da campanha eleitoral.
Apesar de questionada sobre as desistências na chapa estadual, Janaina direcionou boa parte da resposta para a situação da chapa federal. Segundo ela, o MDB não conseguiu montar uma composição completa para a Câmara dos Deputados por decisão da direção nacional e principalmente pela limitação dos recursos disponíveis para financiar as campanhas.
Janaina afirmou que, nos 12 anos em que está no MDB, esta é a primeira vez que o partido não apresenta uma chapa federal completa. A avaliação é de que a restrição financeira pesa diretamente sobre a capacidade da legenda de atrair e manter candidatos competitivos.
A situação expõe um dos principais desafios dos partidos nesta etapa da eleição: formar chapas competitivas em um cenário de recursos limitados e, ao mesmo tempo, garantir nomes com potencial eleitoral suficiente para alcançar votação própria.
No MDB de Mato Grosso, o movimento de saída de candidatos ocorre enquanto Janaina tenta consolidar sua candidatura ao Senado e a legenda reorganiza suas estratégias para a eleição de outubro. A dificuldade de manter nomes considerados competitivos pode obrigar a direção estadual a rever a composição das chapas e intensificar as negociações internas nas próximas semanas.
Ao adotar um discurso de liberdade para as candidatas, Janaina também procura afastar a pressão sobre a direção estadual do partido diante das desistências. A estratégia, porém, não elimina o desafio político: com cada baixa, aumenta a necessidade de reorganizar as chapas e garantir nomes suficientes para uma disputa eleitoral competitiva.
A eleição de 2026 entra, assim, em uma fase em que dinheiro, estrutura e capacidade de mobilização começam a pesar tanto quanto alianças políticas. E o movimento dentro do MDB mostra que a montagem das chapas ainda está longe de ser um processo encerrado.
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