Abílio admite preferência por Paula, mas nega interferência na eleição da Câmara de Cuiabá
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 20/04/2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou ao centro das articulações políticas que envolvem a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal ao admitir, de forma pública, que tem preferência pela permanência da atual presidente, Paula Calil (PL), no comando do Legislativo. Apesar disso, o gestor tenta manter o discurso de neutralidade e nega qualquer interferência direta no processo.
A declaração foi direcionada ao vereador Dilemário Alencar (União Brasil), líder do Executivo na Casa e também pré-candidato à presidência. O posicionamento ocorre em meio a um ambiente político tensionado, marcado por disputas internas e divergências dentro da própria base aliada.
Abilio reconheceu que já manifestou apoio à reeleição de Paula, mas reforçou que a decisão final cabe exclusivamente aos vereadores. Segundo ele, o papel do Executivo é respeitar a autonomia do Legislativo, ainda que opiniões pessoais acabem vindo a público.
O episódio evidencia uma tentativa de equilíbrio político: ao mesmo tempo em que sinaliza preferência, o prefeito busca evitar desgaste com aliados e acusações de ingerência institucional. Nos bastidores, no entanto, a leitura é de que qualquer manifestação do chefe do Executivo inevitavelmente impacta o ambiente interno da Câmara.
A disputa pela Mesa Diretora ganhou força nas últimas semanas e envolve diferentes grupos políticos, com articulações intensas e movimentações estratégicas visando o comando do Legislativo no próximo biênio. Dilemário, que integra a base governista, tenta viabilizar sua candidatura mesmo diante da preferência pública do prefeito por outra composição.
O próprio Abilio já reconheceu, em outras ocasiões, que suas declarações podem influenciar o cenário político, ainda que não haja atuação direta nas negociações. O prefeito sustenta que apenas expressa opiniões, mas admite que elas acabam repercutindo entre os parlamentares.
O contexto revela um jogo político delicado, em que o Executivo tenta manter governabilidade sem romper com aliados estratégicos dentro da Câmara. Ao mesmo tempo, a eleição da Mesa se consolida como um dos principais termômetros de força política na capital, com reflexos diretos na condução de pautas e na relação entre os poderes.
Enquanto o discurso oficial aponta para independência entre Executivo e Legislativo, os bastidores mostram que a disputa está longe de ser apenas interna — e que cada movimento público tem peso direto na construção de alianças e no futuro político da gestão municipal.
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