Abílio desafia cúpula do PL e rejeita aliança com MDB: “Ou me libera, ou tolera, ou me expulsa”
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 03/08/2026
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), elevou o tom do discurso político e fez um desafio público à direção do próprio partido após a confirmação da aliança entre o PL e o MDB para as eleições de 2026 em Mato Grosso. Em uma manifestação nas redes sociais, o prefeito afirmou que não participará de campanha ao lado do MDB e declarou que prefere enfrentar as consequências dentro da legenda a apoiar uma composição que considera incompatível com sua trajetória política.
“Não estarei com o MDB. Não posso ser incoerente”, escreveu Abílio. Em seguida, endureceu ainda mais a posição: “Ou me libera, ou tolera, ou me expulsa. Com o PT e o MDB eu não vou”.
A declaração foi feita poucas horas depois da confirmação de que o senador Wellington Fagundes (PL) será o candidato ao Governo de Mato Grosso, tendo como candidatos ao Senado o deputado federal José Medeiros (PL) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB), presidente estadual do MDB. O acordo foi costurado pela direção nacional do Partido Liberal e passou a ser um dos principais movimentos políticos da disputa estadual.
Abílio afirmou que não pretende dividir o mesmo palanque com lideranças do MDB que enfrentaram candidatos do PL e aliados bolsonaristas nas eleições municipais recentes. Entre os nomes citados por ele estão o deputado estadual Eduardo Botelho, adversário na disputa pela Prefeitura de Cuiabá em 2024; o deputado Thiago Silva, de Rondonópolis; o ex-prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin; o ex-prefeito de Várzea Grande, Kalil Baracat; e a ex-vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa.
Segundo o prefeito, esses políticos permaneceram em campos opostos ao seu projeto político e agora estariam sendo reunidos em uma mesma coligação. “Brigamos na última eleição e continuamos oponentes. Agora querem colocar todo mundo no mesmo ônibus e fazer de conta que somos amiguinhos. Não dá”, afirmou.
O prefeito também questionou o alcance da fidelidade partidária e comparou a situação a uma eventual aliança do PL com o PT. Para ele, decisões da direção partidária não obrigam automaticamente seus filiados a apoiar qualquer composição eleitoral. A manifestação foi interpretada nos bastidores como um recado direto ao comando nacional da legenda e ao grupo político que conduz a formação da chapa majoritária em Mato Grosso.
A reação de Abílio evidencia o desconforto de uma ala mais alinhada ao bolsonarismo dentro do PL com a entrada do MDB na coligação estadual. A presença de Janaina Riva na chapa majoritária vinha sendo alvo de resistência entre dirigentes e lideranças do partido, justamente por causa do histórico de confrontos políticos acumulados nos últimos anos.
Apesar das críticas, a direção nacional do PL manteve o acordo. A expectativa é de que a convenção estadual do MDB oficialize a candidatura de Janaina ao Senado e ratifique a aliança com o Partido Liberal, consolidando um dos principais blocos políticos da disputa de 2026 em Mato Grosso.
O posicionamento de Abílio também pode provocar novos desdobramentos dentro do próprio PL, já que o prefeito de Cuiabá é considerado uma das principais lideranças eleitorais da legenda no estado. Sua recusa em participar do palanque da coligação amplia a tensão interna e pode influenciar o comportamento de prefeitos, vereadores e dirigentes municipais que acompanham sua atuação política.
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