Abílio ironiza derrota da LDO e diz que vereadores vão continuar trabalhando sem recesso
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 21/07/2026
A rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 pela Câmara de Cuiabá abriu um novo capítulo na relação entre o Executivo e o Legislativo. Em meio ao acirramento político que envolve a disputa antecipada pela presidência da Mesa Diretora, o prefeito Abílio Brunini (PL) afirmou que não pretende reenviar imediatamente o projeto e aproveitou o episódio para provocar os vereadores ao dizer que eles permanecerão trabalhando durante o período em que normalmente estariam em recesso parlamentar. A legislação municipal impede a suspensão das atividades legislativas enquanto a LDO não for aprovada, situação que transformou uma derrota do Executivo em instrumento de pressão política sobre o Legislativo.
Em tom irônico, Abílio afirmou que “não tem pressa” para encaminhar uma nova proposta e disse que pretende esperar boa parte do período previsto para o recesso antes de devolver a matéria à Câmara. Segundo ele, a permanência dos vereadores em atividade pode beneficiar a população, já que amplia o tempo de funcionamento do Parlamento. O prefeito chegou a brincar que a rejeição da LDO deveria se repetir nos próximos anos para que os parlamentares permanecessem mais tempo trabalhando durante o mês de julho.
A proposta orçamentária foi rejeitada na última sessão antes do recesso ao receber apenas 12 votos favoráveis, número inferior aos 14 necessários para aprovação em segunda votação. A derrota foi considerada inédita e evidenciou o desgaste político entre o Palácio Alencastro e parte da base governista. Nos bastidores da Câmara, a votação acabou sendo influenciada pelo clima de disputa em torno da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028, tema que tem dividido vereadores e provocado sucessivos embates entre aliados do prefeito.
Abílio atribuiu o resultado diretamente às articulações políticas internas do Legislativo e criticou parlamentares que, segundo ele, deixaram interesses eleitorais prevalecerem sobre uma matéria considerada estratégica para o planejamento financeiro do município. A LDO estabelece as metas e prioridades da administração pública para o exercício seguinte e serve de base para a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA), responsável por definir a previsão de receitas, despesas e investimentos da Prefeitura.
O projeto enviado pelo Executivo previa uma arrecadação de aproximadamente R$ 5,07 bilhões para 2027, crescimento estimado de cerca de 3,1% em relação ao orçamento previsto para 2026. Sem a aprovação da LDO, a elaboração e o envio da LOA ficam comprometidos, o que aumenta a pressão para que a matéria volte à pauta nas próximas semanas.
Mesmo diante das declarações do prefeito, a presidente da Câmara, Paula Calil (PL), já confirmou que as sessões ordinárias serão mantidas normalmente até que o impasse seja resolvido. Com isso, os vereadores seguirão realizando reuniões às terças e quintas-feiras, cumprindo a determinação prevista na Lei Orgânica do Município, que condiciona o início do recesso parlamentar à aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
O episódio também amplia a tensão política entre Executivo e Legislativo em um momento de reorganização das forças políticas para as eleições de 2026. Além da disputa pela Mesa Diretora, o relacionamento entre Abílio e parte de sua base sofreu novos desgastes nos últimos dias, com trocas de críticas públicas e divergências sobre a condução das articulações dentro da Câmara. O novo envio da LDO deverá ocorrer nas próximas semanas e tende a ser mais um teste da capacidade de diálogo entre o prefeito e os vereadores.
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