Amauri Monge afirma que R$ 100 milhões da Educação foram usados em outras despesas
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 28/05/2026
A crise envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá ganhou novos desdobramentos após o ex-secretário Amauri Monge acusar a gestão do prefeito Abílio Brunini (PL) de ter promovido uma “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões em recursos da Educação durante o exercício de 2025. A declaração foi feita nesta quinta-feira (28), durante pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal, e ampliou ainda mais a tensão política em torno da administração da Capital.
Segundo Amauri, a Prefeitura teria utilizado recursos que deveriam ser destinados obrigatoriamente à Educação para cobrir outras despesas da administração municipal. O ex-secretário afirmou que os valores estavam vinculados constitucionalmente ao setor educacional e que a manobra teria ocorrido mesmo com o cumprimento formal do percentual mínimo exigido por lei para investimentos na área.
Durante o discurso, Amauri declarou que toda a situação estaria documentada e já teria sido apresentada à Comissão de Educação da Câmara Municipal, incluindo informações compartilhadas pelo secretário de Fazenda, Marcelo Bussiki, e pelo contador-geral do município. O ex-secretário também afirmou que empresas fornecedoras da prefeitura estariam enfrentando dificuldades financeiras devido aos atrasos e à falta de pagamento relacionados à movimentação dos recursos.
A fala ocorreu justamente no momento em que a Prefeitura de Cuiabá intensifica investigações sobre supostas irregularidades em contratos da própria Secretaria de Educação envolvendo aquisição de livros didáticos e materiais pedagógicos. Nos últimos dias, Abilio Brunini afirmou publicamente que a Controladoria do Município apura suspeitas de superfaturamento que poderiam chegar a R$ 80 milhões.
Amauri Monge rebateu a narrativa da atual gestão e afirmou que as denúncias relacionadas aos contratos não podem servir como “cortina de fumaça” para esconder problemas mais graves enfrentados pela Educação municipal. Segundo ele, o verdadeiro motivo de sua saída da pasta não teria sido participação em articulações políticas, mas sim o “colapso” administrativo que estaria ocorrendo dentro da prefeitura.
A acusação coloca ainda mais pressão sobre a administração de Abílio Brunini, que já enfrenta desgaste em áreas sensíveis da gestão, principalmente saúde, infraestrutura urbana e educação. Nos últimos meses, parlamentares estaduais e vereadores passaram a ampliar críticas sobre a situação da Capital, citando problemas em unidades de saúde, obras paralisadas e dificuldades orçamentárias.
O termo “pedalada fiscal” é utilizado para definir manobras contábeis em que recursos destinados a determinada finalidade acabam sendo utilizados para outras despesas sem autorização adequada ou transparência plena na execução orçamentária. No caso da Educação, a Constituição Federal obriga os municípios a aplicarem percentual mínimo da arrecadação no setor.
Nos bastidores políticos, a denúncia foi tratada como uma “bomba” dentro da Câmara de Cuiabá e deve provocar reação da oposição, além de possível mobilização de órgãos de controle. Vereadores já discutem a possibilidade de aprofundar investigações sobre a execução orçamentária da Secretaria Municipal de Educação e sobre o destino dos recursos vinculados ao Fundeb.
Até o momento, a Prefeitura de Cuiabá ainda não apresentou resposta detalhada às acusações feitas pelo ex-secretário. A assessoria do prefeito informou apenas que a administração deverá se manifestar oficialmente após análise do conteúdo apresentado na Câmara Municipal.
A nova crise surge em um momento delicado para a gestão Abílio, que vem tentando reforçar o discurso de austeridade fiscal desde o início do mandato. O prefeito chegou a declarar calamidade financeira ao assumir a prefeitura e frequentemente atribui dificuldades administrativas às dívidas herdadas de gestões anteriores.
Com a troca de acusações entre atual e ex-integrantes da administração, a Educação de Cuiabá se transforma novamente em um dos principais focos de tensão política da Capital e deve permanecer no centro do debate público nas próximas semanas.
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