Disputa pela presidência da Câmara muda de rumo após acordo entre Dilemário e Paula Calil
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 23/06/2026
A disputa pelo comando da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou um novo capítulo nos bastidores políticos da capital após o vereador Dilemário Alencar (União Brasil) recuar de sua candidatura e oficializar apoio ao grupo liderado pela presidente da Casa, Paula Calil (PL). O movimento fortaleceu diretamente a articulação política ligada ao prefeito Abílio Brunini (PL) e levou o bloco governista à marca de 14 vereadores favoráveis à continuidade de Paula no comando do Legislativo municipal.
O acordo foi consolidado durante uma reunião realizada na residência de Paula Calil, em um jantar político que reuniu parlamentares considerados estratégicos para a sucessão da Mesa Diretora. A movimentação representa uma mudança significativa no cenário interno da Câmara, principalmente porque Dilemário vinha mantendo posição de independência e já havia protagonizado embates públicos envolvendo a articulação conduzida pelo prefeito em favor da atual presidente.
A composição construída pelo grupo governista passou a ser tratada como uma estratégia de segurança política. Isso porque o regimento interno da Câmara ainda impede a reeleição de presidentes dentro do mesmo mandato legislativo. Para alterar a regra, seriam necessários pelo menos 18 votos favoráveis — quatro a mais do que o grupo de Paula possui atualmente.
Diante desse impasse jurídico e regimental, ficou definido internamente que Paula Calil será mantida como “Plano A” do grupo governista, enquanto Dilemário passa a ocupar a posição de alternativa política caso a reeleição da atual presidente seja barrada por falta de mudança no regimento da Casa. A solução foi interpretada como uma tentativa de evitar rachas dentro da base aliada do prefeito Abilio Brunini.
Além de Dilemário, a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) também consolidou apoio ao grupo político alinhado à presidência da Câmara. A aproximação entre os dois blocos já vinha sendo construída nas últimas semanas por meio de reuniões reservadas entre vereadores governistas e aliados da atual Mesa Diretora.
Apesar do avanço do grupo de Paula Calil, a disputa ainda está longe de um consenso definitivo. O vereador Ilde Taques (Podemos) mantém candidatura própria e afirma possuir apoio de 12 parlamentares, o que mantém o cenário em aberto dentro do Legislativo cuiabano. Nos corredores da Câmara, vereadores também discutem a possibilidade de adiar a eleição da Mesa Diretora, inicialmente prevista para agosto, para os meses de outubro ou novembro. A mudança seria uma tentativa de adequação às recentes decisões do Supremo Tribunal Federal sobre eleições antecipadas em casas legislativas.
A nova configuração política reforça a influência direta do prefeito Abílio Brunini sobre o processo sucessório da Câmara Municipal. Desde o início das articulações, o chefe do Executivo vinha atuando para unificar a base governista e evitar uma disputa fragmentada entre aliados, especialmente após divergências públicas envolvendo Dilemário e outros vereadores ligados ao Palácio Alencastro.
Com a consolidação do grupo de 14 vereadores, a eleição da Mesa Diretora entra em uma fase decisiva e passa a ser tratada como um dos principais termômetros políticos da relação entre Executivo e Legislativo em Cuiabá nos próximos meses.
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