Flávia diz que houve coação na reeleição de Wanderley e questiona validade da sessão
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 18/05/2026
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), elevou o tom contra o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), após a reeleição apertada do parlamentar para comandar a Mesa Diretora da Casa. Em declaração à imprensa, Flávia acusou o grupo ligado a Wanderley de promover pressão e coação contra vereadores durante o processo de votação, ampliando ainda mais a crise política entre Executivo e Legislativo no município.
A disputa terminou com placar de 12 votos a 11 favoráveis à permanência de Wanderley na presidência da Câmara. O resultado apertado foi utilizado pela prefeita para sustentar que existe forte divisão política dentro do Legislativo e que parte significativa dos vereadores já demonstra alinhamento com a gestão municipal.
Flávia afirmou que não concorda com métodos utilizados durante a articulação política da eleição e criticou o que classificou como “confinamento” de parlamentares ligados ao grupo adversário. Segundo ela, o voto dos vereadores deveria ocorrer de forma livre, sem qualquer tipo de pressão ou controle político. A prefeita declarou que, na visão dela, houve coação durante o processo eleitoral da Mesa Diretora.
A prefeita também afirmou que a eleição continua cercada de questionamentos jurídicos. Isso porque vereadores ingressaram na Justiça contestando a validade da sessão que reconduziu Wanderley ao comando da Câmara. O caso chegou a ter decisões judiciais conflitantes antes da realização da votação, cenário que aumentou ainda mais a tensão institucional em Várzea Grande.
O novo embate ocorre em meio a uma sequência de denúncias, acusações e investigações envolvendo a relação entre Prefeitura e Câmara. Nos últimos dias, Flávia Moretti passou a acusar abertamente adversários políticos de tentarem promover sua cassação. A prefeita afirma que existe um movimento articulado para afastá-la do cargo por vias políticas e judiciais após sua vitória eleitoral em 2024.
A crise ganhou proporções ainda maiores após o Ministério Público Estadual, por meio do Gaeco, abrir investigação para apurar denúncias envolvendo vereadores de oposição ao Executivo municipal. Entre as suspeitas investigadas estão acusações de ameaça, chantagem, extorsão e articulações voltadas à tentativa de cassação da prefeita. Wanderley Cerqueira aparece entre os citados na denúncia encaminhada ao órgão.
Em paralelo ao conflito político, Flávia também levou à Delegacia Especializada de Combate à Corrupção uma denúncia contra Wanderley relacionada a um suposto remanejamento financeiro realizado sem autorização da Prefeitura. Segundo a prefeita, um documento teria sido inserido no sistema administrativo sem sua assinatura, envolvendo movimentação de R$ 215 mil.
Do outro lado, Wanderley e aliados sustentam que a Câmara atua dentro da legalidade e afirmam que pedidos de investigação e perícias envolvendo declarações da prefeita também poderão avançar no Legislativo. O presidente da Câmara já chegou a mencionar possibilidade de abertura de CPI após divulgação de áudios atribuídos à chefe do Executivo.
O clima político em Várzea Grande se transformou em uma das maiores crises institucionais recentes do município. A relação entre Executivo e Legislativo segue deteriorada, marcada por denúncias públicas, ações judiciais, investigações e disputas pelo controle político da cidade.
Enquanto a Justiça analisa os questionamentos envolvendo a eleição da Mesa Diretora, a tendência é de que o confronto político continue dominando o cenário administrativo da segunda maior cidade de Mato Grosso.
Baixada Cuiabana
Disputa pela Câmara de Cuiabá esquenta: Juca critica reeleição de Paula Calil e presidente reage com acusação de “antidemocrático”
Prefeita diz que Câmara bloqueia projetos essenciais e recorre à Justiça para destravar orçamento
Proposta para adiar eleição da Mesa Diretora de Cuiabá avança e amplia disputa pelo comando da Câmara
PUBLICIDADE
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Abílio envia LDO à Câmara e projeta orçamento superior a R$ 5 bilhões para Cuiabá em 2027
Botelho revela diálogo do MDB com PL e Pivetta e amplia especulações sobre alianças para 2026
Compra de livros entra na mira do TCE, que quer identificar possíveis desperdícios de recursos públicos
