Ilde alerta para “sequelas” na base de Abílio com guerra pela presidência da Câmara
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 25/05/2026
A disputa antecipada pelo comando da Câmara de Cuiabá começou a produzir desgaste dentro da própria base do prefeito Abílio Brunini e já preocupa vereadores aliados do Palácio Alencastro. O vereador Ilde Taques admitiu publicamente o risco de um racha político no grupo governista diante da corrida pela presidência da Mesa Diretora para o biênio 2027/2028 e alertou que a disputa pode deixar “sequelas” na relação entre Executivo e Legislativo.
Pré-candidato à presidência da Câmara, Ilde afirmou que o cenário mais saudável para a base seria a construção de consenso entre os parlamentares aliados, evitando um confronto direto que possa dividir o grupo político que sustenta a gestão municipal. Segundo ele, quando a disputa cria blocos rivais dentro da própria base, inevitavelmente haverá desgaste político e dificuldades futuras na governabilidade.
A avaliação é de que a eleição da Mesa Diretora se transformou em uma das principais batalhas políticas antecipadas da capital. O processo ganhou ainda mais tensão após articulações envolvendo possíveis mudanças no Regimento Interno da Casa para permitir uma eventual reeleição da atual presidente Paula Calil. A movimentação desagradou parte dos vereadores e ampliou o clima de divisão entre grupos políticos ligados ao prefeito.
Ilde criticou qualquer alteração nas regras às vésperas da eleição interna e afirmou que mudanças dessa natureza deveriam ter sido debatidas anteriormente. Para ele, mexer no regimento durante o processo eleitoral interno cria insegurança política e amplia a instabilidade dentro do Legislativo cuiabano.
Embora mantenha críticas ao cenário atual, o vereador fez questão de destacar que reconhece a condução administrativa de Paula Calil à frente da Câmara. Ainda assim, reforçou que a antecipação da disputa e o fortalecimento de grupos internos podem criar fissuras difíceis de serem recompostas futuramente.
A sucessão da Mesa Diretora movimenta praticamente todos os grupos políticos do Legislativo municipal. Além de Ilde Taques, outros vereadores também articulam possíveis candidaturas, entre eles Dilemário Alencar. A eleição está prevista para ocorrer no segundo semestre deste ano, embora o novo comando só assuma oficialmente em 2027.
Nos corredores da Câmara, aliados de Ilde afirmam que o parlamentar já possui maioria consolidada para a disputa, enquanto interlocutores ligados ao prefeito defendem o fortalecimento do líder do Executivo na Casa, Dilemário Alencar. A possível interferência do Palácio Alencastro no processo é justamente um dos pontos que mais preocupam parte dos vereadores da base.
Ilde também demonstrou preocupação com o uso da estrutura política e administrativa para favorecer candidaturas internas. Segundo ele, qualquer disputa em que haja influência da máquina pública tende a desequilibrar o processo e aumentar os conflitos internos entre os parlamentares.
Apesar do clima de tensão, o vereador negou qualquer possibilidade de rompimento político com o prefeito caso vença a eleição para a presidência da Câmara. Ele afirmou que não vê espaço para um Legislativo de oposição e garantiu que pretende manter uma relação institucional com a Prefeitura.
A antecipação das articulações reforça o peso político da Câmara de Cuiabá na construção das alianças para 2026 e 2028. Mais do que uma simples disputa interna, a eleição da Mesa Diretora passou a ser vista como um termômetro da força política dos grupos que orbitam a gestão Abílio Brunini e poderá influenciar diretamente o ambiente político da capital nos próximos anos.
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