Júlio Campos acusa federação de tentar barrar Jayme ao governo e declara “guerra” dentro do União
Política POR: Redação
POSTADO EM: 29/05/2026
A disputa pelo comando político de Mato Grosso em 2026 escalou de vez dentro do União Brasil. O deputado estadual Júlio Campos elevou o tom contra o grupo do governador Mauro Mendes e acusou a recém-formada federação União Progressista de tentar “enterrar” a pré-candidatura do senador Jayme Campos ao Palácio Paiaguás.
A declaração ocorreu após a definição da composição da comissão provisória da federação em Mato Grosso, estrutura que ficará responsável por conduzir os rumos políticos da aliança entre União Brasil e Progressistas no estado. Irritado com o formato adotado, Júlio afirmou que o grupo ligado a Jayme foi surpreendido pela decisão e sequer teria sido comunicado previamente sobre a formação do diretório estadual.
Segundo o parlamentar, a configuração construída fortalece diretamente o grupo político de Mauro Mendes e enfraquece o espaço de articulação de Jayme dentro da federação. Nos bastidores, a leitura é de que a nova estrutura amplia a influência do ex-governador nas decisões sobre a sucessão estadual de 2026.
A presidência da federação em Mato Grosso ficou sob comando de Mauro Mendes, enquanto a vice-presidência será ocupada pelo ex-senador Cidinho Santos, nome ligado ao Progressistas e próximo ao núcleo político do governo estadual. Também integram a direção a senadora Margareth Buzetti, o deputado federal Fábio Garcia, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco, Aécio Rodrigues e o próprio senador Jayme Campos.
Mesmo ocupando espaço dentro da composição, aliados de Jayme avaliam que a correlação de forças construída favorece o projeto político alinhado ao vice-governador Otaviano Pivetta, considerado hoje o principal nome apoiado por Mauro Mendes para a disputa do governo.
Durante entrevista, Júlio Campos afirmou que o acordo político discutido anteriormente em Brasília previa uma distribuição diferente de poder dentro da federação. Segundo ele, o entendimento firmado entre lideranças nacionais não teria sido respeitado na composição final anunciada em Mato Grosso.
O deputado também afirmou que o União Brasil possui maior peso político no estado do que o Progressistas e criticou o espaço concedido ao grupo aliado do governador. Para Júlio, a movimentação representa uma tentativa clara de inviabilizar a candidatura de Jayme antes mesmo do início oficial das convenções partidárias.
Em tom duro, o parlamentar declarou que a disputa interna deverá se intensificar nos próximos meses. “Vai ser guerra daqui para frente”, afirmou ao comentar o cenário político dentro da federação.
A fala escancara o ambiente de tensão que domina os bastidores do União Brasil em Mato Grosso. De um lado, o grupo de Mauro Mendes trabalha para consolidar apoio em torno de Pivetta. Do outro, Jayme Campos mantém o discurso de que seguirá candidato ao governo e aposta em respaldo nacional da sigla para garantir espaço na disputa.
Aliados do senador sustentam que ele recebeu garantia do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, de que terá a candidatura assegurada caso consiga vencer as articulações internas do partido. A estratégia do grupo agora passa por pressionar a direção nacional da federação para rever a composição anunciada no estado.
A crise interna também evidencia uma divisão histórica dentro do União Brasil mato-grossense, envolvendo antigos grupos políticos do DEM, do PSL e lideranças regionais incorporadas após a fusão partidária. A federação com o Progressistas, que inicialmente era tratada como instrumento de fortalecimento eleitoral, passou a ampliar a disputa por espaço e poder dentro da sigla.
Mesmo com a instalação oficial da federação, a definição sobre quem será o candidato ao governo ainda deve atravessar meses de negociações, disputas internas e pressão nacional. O embate entre Mauro Mendes e Jayme Campos promete dominar o cenário político estadual até as convenções de 2026.
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