Lula cita conversa com Trump, mas Secom corrige e diz que presidente se confundiu
Política POR: Redação
POSTADO EM: 12/12/2025
Lula disse nesta quinta-feira (11) que havia conversado no dia anterior com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) informou, horas depois, que o presidente se confundiu. Segundo o órgão, Lula se referia a um telefonema realizado na semana passada, e não a uma nova ligação.
A declaração ocorreu durante uma solenidade em Belo Horizonte. No discurso, Lula afirmou que teria abordado com Trump a necessidade de manter a América do Sul como uma região de paz, em meio à escalada de tensões envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela.
O presidente relatou, em tom descontraído, trechos da suposta conversa. Segundo ele, Trump mencionou o poderio militar norte-americano, ao que Lula respondeu defendendo o diálogo como ferramenta diplomática essencial.
“Eu falei: ‘Trump, nós não queremos guerra na América Latina. Somos uma zona de paz’. Ele disse que tinha mais armas, mais navios, mais bombas. Eu respondi que acredito mais no poder da palavra do que no poder da arma”, contou Lula.
Pouco após o discurso, a Secom divulgou nota esclarecendo que não houve ligação recente. De acordo com o órgão, o presidente fez referência à conversa ocorrida na semana anterior, e não ao dia anterior, como disse no evento.
O telefonema entre Lula e Trump aconteceu na mesma semana em que o presidente brasileiro conversou com o líder da Venezuela, Nicolás Maduro. Segundo o governo brasileiro, ambos os diálogos foram breves e centrados na defesa da paz na América do Sul e no Caribe.
A confusão pública envolvendo Lula e a Secom expôs um ponto sensível da estratégia comunicacional do governo: a necessidade de maior precisão quando o presidente trata de temas de política externa, especialmente em um momento de tensão na região. Ao citar uma conversa inexistente no dia anterior — e ser corrigido pela própria equipe —, Lula acabou abrindo margem para críticas da oposição e criando ruído em um debate já delicado, marcado pela disputa de narrativas entre EUA e Venezuela. Ainda assim, o episódio também evidencia o esforço do Planalto em posicionar o Brasil como voz moderadora no cenário sul-americano, reforçando uma diplomacia que tenta retomar protagonismo ao defender a região como “zona de paz”. O desafio agora é manter coerência entre discurso e comunicação oficial para evitar novos desgastes.
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