“Mais uma mulher silenciada”, dispara secretária após barragem em sessão da Câmara de VG
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 17/06/2026
A sessão ordinária da Câmara Municipal de Várzea Grande desta terça-feira (16) terminou em forte tensão política após a secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Maria Fernanda Figueiredo, deixar o plenário sem conseguir utilizar a tribuna para se defender de críticas feitas por vereadores e apresentar esclarecimentos sobre a condução da pasta. O episódio rapidamente ganhou contornos políticos e provocou debate sobre silenciamento feminino dentro do ambiente institucional.
Visivelmente abalada, a secretária afirmou ter se sentido impedida de exercer seu direito de fala e associou a situação ao fato de ser mulher e ocupar um cargo historicamente dominado por homens na estrutura política do município.
“Mais uma mulher sendo silenciada”, declarou a gestora ao deixar a sessão, após sucessivas interrupções durante a tentativa de se pronunciar no plenário.
Maria Fernanda havia comparecido à Câmara com relatórios, documentos técnicos e um balanço dos primeiros meses de sua gestão. A intenção era responder críticas envolvendo a rede municipal de ensino, a regulamentação do Fundeb, atrasos salariais de servidores e questionamentos relacionados à distribuição de uniformes escolares.
O clima político se agravou durante embate entre os vereadores Wender Madureira (Republicanos) e Sardinha (MDB), que trocaram acusações em torno da Comissão Processante instaurada para investigar supostas irregularidades ligadas à publicidade em uniformes escolares da rede municipal.
Durante a discussão, vereadores colocaram em dúvida informações apresentadas pela Secretaria de Educação, ampliando a pressão política sobre Maria Fernanda, que também é irmã do vereador Carlinhos Figueiredo (Republicanos). A relação familiar passou a ser utilizada nos bastidores da Câmara como elemento adicional de desgaste político.
Sem conseguir concluir sua manifestação, a secretária deixou o plenário afirmando que compareceu ao Legislativo para prestar esclarecimentos técnicos e apresentar documentos oficiais que, segundo ela, ainda não haviam sido divulgados integralmente pelos parlamentares.
“Eu trouxe um relatório completo dos primeiros 90 dias da gestão, que será entregue aos vereadores e também ao Tribunal de Contas”, afirmou.
A Câmara Municipal, por sua vez, divulgou nota negando qualquer tentativa de impedir a fala da secretária. Segundo a Mesa Diretora, o requerimento que trata da convocação da gestora ainda estaria em tramitação e, por questões regimentais, não haveria autorização formal para uso da tribuna naquele momento.
O presidente da Casa, Wanderley Cerqueira (MDB), foi citado por aliados da secretária como responsável pelas interrupções que impediram a continuidade da manifestação. A oposição, entretanto, sustenta que o procedimento apenas seguiu normas internas do Legislativo.
O episódio aumentou ainda mais a crise política entre setores da Prefeitura de Várzea Grande e parte da Câmara Municipal, relação que já vinha sendo marcada por desgastes envolvendo denúncias administrativas, pedidos de investigação e disputas por protagonismo político dentro do município.
O caso pode gerar novo desgaste institucional para o Legislativo, principalmente diante da repercussão do discurso sobre silenciamento feminino. O tema ganhou força nas redes sociais após apoiadores da secretária classificarem a situação como desrespeitosa e autoritária.
A gestão municipal também tenta conter o impacto político da crise em um momento delicado para a educação da cidade, que enfrenta cobranças relacionadas a pagamentos, infraestrutura escolar e fornecimento de materiais aos estudantes.
Apesar do impasse, a expectativa é de que uma nova data seja marcada para que Maria Fernanda retorne à Câmara e apresente oficialmente os esclarecimentos solicitados pelos parlamentares.
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