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Mato Grosso produz recorde, mas não tem onde armazenar; Pivetta descarta investimento

Mato Grosso produz recorde, mas não tem onde armazenar; Pivetta descarta investimentoPolítica

POR: Redação

POSTADO EM: 04/05/2026

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) reconheceu um dos principais gargalos do agronegócio em Mato Grosso, mas descartou qualquer investimento direto do Estado para resolver o problema. Diante de um déficit estimado em cerca de 60% na capacidade de armazenagem de grãos, o chefe do Executivo foi enfático ao afirmar que não há recursos públicos disponíveis para bancar a construção de armazéns.

A declaração ocorre em um momento de alerta no setor produtivo. Entidades como a Aprosoja-MT têm pressionado o governo por medidas emergenciais, diante do crescimento acelerado da produção agrícola que não foi acompanhado pela infraestrutura necessária. Nos últimos dez anos, Mato Grosso dobrou sua produção de grãos, saltando de cerca de 50 milhões para aproximadamente 100 milhões de toneladas.

Apesar do cenário crítico, Pivetta foi direto ao afastar qualquer intervenção mais ampla do Estado. Segundo ele, a responsabilidade pela construção de armazéns deve recair principalmente sobre os próprios produtores, especialmente os de grande porte.

A consequência prática dessa defasagem já é sentida no campo. Parte significativa da produção precisa ser escoada imediatamente após a colheita ou, em situações mais críticas, armazenada de forma improvisada, inclusive a céu aberto durante períodos de seca — uma solução que aumenta riscos e perdas.

O governador indicou que eventuais políticas públicas podem ser direcionadas apenas a pequenos produtores, por meio de mecanismos como fundos de aval ou participação estatal indireta. Para os demais, a alternativa segue sendo o acesso a linhas de crédito oferecidas por instituições financeiras como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Pivetta também destacou que, nos últimos anos, o foco do governo estadual foi investir na logística de escoamento, com obras em rodovias para garantir o transporte da produção até portos e terminais ferroviários. A estratégia, segundo ele, contribuiu para o crescimento do setor, mas não foi suficiente para acompanhar a demanda por armazenagem.

Mesmo reconhecendo o problema, o governador sinalizou que a solução não será imediata. A projeção é de que o déficit estrutural leve até uma década para ser superado, o que mantém o tema como um dos principais desafios do agronegócio mato-grossense nos próximos anos.

O posicionamento reforça um cenário de tensão entre crescimento econômico e limitações estruturais, colocando em debate o papel do Estado diante de um dos setores mais estratégicos da economia brasileira.

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