Max Russi propõe plebiscito e acusa Pará de abandonar moradores em região disputada
Política POR: Redação
POSTADO EM: 28/05/2026
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Max Russi (Podemos), voltou a subir o tom na disputa territorial entre Mato Grosso e Pará e afirmou que a população da área em litígio foi abandonada pelo estado paraense ao longo dos anos. A declaração ocorreu durante defesa pública da realização de um plebiscito para ouvir os moradores da região atualmente disputada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Max, a discussão sobre a área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados não pode ser tratada apenas como uma questão geográfica ou econômica. O parlamentar sustenta que milhares de moradores da região dependem diretamente da estrutura pública de Mato Grosso para acessar saúde, educação, segurança pública, transporte e serviços administrativos.
Ao defender a consulta popular, Max afirmou que a decisão precisa considerar quem vive diariamente na região. O deputado argumenta que boa parte da população mantém vínculos econômicos, sociais e institucionais com municípios mato-grossenses devido à distância e à dificuldade de acesso às cidades do Pará.
“O Pará abandonou aquela população”, declarou o presidente da Assembleia ao comentar o impasse judicial que voltou a ganhar força no STF após o avanço de uma ação rescisória apresentada pelo Governo de Mato Grosso.
A disputa envolve uma extensa faixa territorial localizada na divisa entre os dois estados e considerada estratégica pelo potencial agrícola, energético e logístico. A região abriga áreas de produção agropecuária, corredores de escoamento de grãos e influência sobre empreendimentos ligados ao setor energético.
Nos bastidores políticos, a avaliação é de que o conflito ultrapassou a esfera jurídica e passou a mobilizar fortemente as lideranças políticas de Mato Grosso. A Assembleia Legislativa, a Procuradoria-Geral do Estado e parlamentares da bancada federal vêm intensificando articulações para defender a revisão dos limites territoriais atualmente reconhecidos pelo Supremo.
Mato Grosso sustenta que houve erro histórico na interpretação cartográfica utilizada em julgamento anterior do STF, realizado em 2020, que acabou favorecendo o Pará. O Estado tenta reverter essa decisão apresentando novos documentos técnicos, mapas históricos e estudos geográficos para comprovar inconsistências na delimitação adotada pela Corte.
O ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo, marcou audiência de conciliação entre os estados para tentar buscar uma solução negociada. A possibilidade de realização de um plebiscito passou a ser debatida justamente dentro desse cenário de tentativa de acordo institucional.
Max Russi afirmou que Mato Grosso utilizará todos os instrumentos políticos e jurídicos possíveis para defender a área reivindicada. Segundo ele, a população local já possui integração consolidada com Mato Grosso e depende diretamente da estrutura oferecida pelo estado há décadas.
A disputa territorial voltou ao centro do debate político regional nos últimos meses devido ao crescimento econômico da região Norte do estado, ao avanço do agronegócio e à importância logística da área contestada. Especialistas avaliam que a decisão do STF poderá provocar impactos administrativos, econômicos e fiscais relevantes tanto para Mato Grosso quanto para o Pará.
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