Medeiros critica possível aliança com MDB e afirma que base do PL não aceita acordo
Política POR: Redação
POSTADO EM: 07/05/2026
O deputado federal José Medeiros elevou o tom contra uma possível aproximação entre o PL e o MDB em Mato Grosso e deixou claro que considera os dois partidos “incompatíveis” no cenário político estadual. A declaração escancara o desconforto crescente dentro do grupo bolsonarista diante das articulações que vêm sendo conduzidas pelo senador Wellington Fagundes visando a disputa eleitoral de 2026.
Pré-candidato ao Senado pelo PL, Medeiros afirmou que não acredita que Wellington irá impor uma composição com o MDB ao partido, principalmente diante da resistência existente entre lideranças municipais e parte da militância conservadora. O parlamentar argumenta que as duas siglas estiveram em lados opostos em diversas disputas recentes e possuem projetos políticos considerados conflitantes dentro de Mato Grosso.
Nos bastidores, o principal ponto de tensão envolve a possibilidade de aproximação entre Wellington Fagundes e a deputada estadual Janaina Riva, uma das principais lideranças do MDB no estado. O senador já admitiu publicamente que não descarta a presença da parlamentar em uma futura composição majoritária, o que provocou forte reação entre setores do PL mais alinhados ao bolsonarismo raiz.
Medeiros avalia que uma eventual aliança poderia gerar desgaste direto com prefeitos e lideranças municipais do Partido Liberal que enfrentaram o MDB nas eleições municipais de 2024. A preocupação dentro do grupo é que um acordo amplo acabe enfraquecendo o discurso ideológico adotado pelo partido nos últimos anos, especialmente entre eleitores conservadores.
Apesar das críticas, o deputado admitiu que seguirá eventual decisão da direção nacional caso a composição seja oficializada. A fala, no entanto, veio acompanhada de forte resistência política e comparações com um “casamento forçado”, evidenciando o clima de desconforto interno que começa a ganhar força dentro do partido.
A discussão também revela um cenário mais amplo envolvendo a corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso. Wellington Fagundes tenta ampliar seu campo de alianças para fortalecer um eventual projeto ao Governo do Estado, enquanto parte do PL defende uma composição mais restrita ao núcleo bolsonarista e aos partidos claramente alinhados à direita.
O MDB, por sua vez, continua no centro das articulações políticas estaduais. A legenda mantém influência estratégica no Congresso Nacional, possui forte presença em municípios mato-grossenses e tem em Janaina Riva uma das figuras mais competitivas do tabuleiro político local. Ao mesmo tempo, setores conservadores do PL enxergam dificuldade em justificar uma aproximação com um partido que mantém interlocução com diferentes campos políticos nacionais.
A movimentação ocorre em meio à antecipação cada vez maior da disputa de 2026 em Mato Grosso. Lideranças partidárias intensificaram reuniões, articulações e testes de alianças nos bastidores, enquanto o eleitorado começa a acompanhar um cenário marcado por disputas internas, rearranjos políticos e divergências dentro dos próprios grupos ideológicos.
O episódio também evidencia que, apesar do discurso de unidade pública, o PL ainda enfrenta desafios internos para consolidar um projeto único no estado. O avanço das articulações de Wellington Fagundes tem provocado reações silenciosas e aumentado a pressão dentro da ala mais ideológica do partido, especialmente entre parlamentares que defendem fidelidade ao discurso conservador sem aproximações consideradas contraditórias.
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