Mesmo após escândalo, 88% dos eleitores de Flávio Bolsonaro querem candidatura mantida, diz Datafolha
Rapidinhas POR: Redação
POSTADO EM: 25/05/2026
Mesmo diante da crise política provocada pelas revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o chamado caso Master, o senador Flávio Bolsonaro continua sustentando forte apoio dentro de sua base eleitoral. Pesquisa Datafolha divulgada nos últimos dias aponta que 88% dos eleitores que declaram voto no parlamentar defendem que ele permaneça na disputa pela Presidência da República em 2026, mesmo após o desgaste causado pelo episódio.
O levantamento mostra que apenas 10% dos apoiadores do senador acreditam que ele deveria desistir da corrida presidencial, enquanto 2% não souberam responder. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros entre os dias 20 e 21 de maio e possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Apesar da blindagem observada entre seus eleitores mais fiéis, o escândalo já apresenta reflexos no cenário eleitoral nacional. Segundo os números do Datafolha, Flávio Bolsonaro registrou queda nas intenções de voto tanto em cenários de primeiro quanto de segundo turno. Em uma das simulações, o senador caiu de 35% para 31%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou vantagem e passou de 38% para 40%.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de informações sobre a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no centro do escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. As revelações colocaram a campanha bolsonarista em alerta e abriram uma nova frente de desgaste político em meio à pré-campanha presidencial.
Mesmo assim, os dados mostram que a fidelidade do eleitorado conservador segue elevada. Entre os entrevistados que apoiam Flávio, 73% afirmaram continuar confiando no senador mesmo após as denúncias. Já 53% disseram considerar correta a atitude do parlamentar ao pedir recursos ao então banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, produção ligada à trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores da direita, aliados avaliam que o episódio abalou a estratégia de crescimento do senador fora da bolha bolsonarista, principalmente entre eleitores moderados e indecisos. Ainda assim, a pesquisa reforçou um diagnóstico já conhecido no meio político: a dificuldade de romper a conexão entre o bolsonarismo e sua base mais fiel, mesmo diante de crises sucessivas.
O levantamento também identificou quem poderia herdar o capital político de Flávio caso ele deixasse a disputa presidencial. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece como principal alternativa dentro do campo conservador. Entre os eleitores do senador, 60% apontaram Michelle como substituta preferida em um eventual cenário de desistência.
Enquanto isso, a repercussão nas redes sociais segue intensa e polarizada. Discussões sobre o impacto do caso Master dominaram plataformas digitais nos últimos dias, com defensores do senador minimizando os efeitos da crise e opositores apontando sinais de desgaste eleitoral.
A avaliação de analistas políticos é de que o episódio deve continuar influenciando o debate eleitoral nas próximas semanas, principalmente se novas revelações surgirem envolvendo o caso. Ainda assim, o Datafolha evidencia que, ao menos neste momento, o núcleo duro do eleitorado bolsonarista permanece consolidado ao redor da candidatura de Flávio Bolsonaro.
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