Pivetta defende plebiscito para decidir disputa bilionária entre Mato Grosso e Pará
Política POR: Redação
POSTADO EM: 29/05/2026
O governador em exercício Otaviano Pivetta (Republicanos) defendeu a realização de um plebiscito para tentar encerrar a histórica disputa territorial entre Mato Grosso e Pará envolvendo uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados na região do Salto das Sete Quedas.
A proposta surge em meio à retomada do embate judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) e amplia a pressão política sobre um dos conflitos territoriais mais antigos do país. A área em disputa abrange territórios atualmente administrados pelo Pará e envolve municípios estratégicos como Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia.
Durante coletiva, Pivetta afirmou que, caso não haja solução consensual entre os estados, a decisão deveria ser colocada nas mãos da população que vive na região. Segundo ele, os moradores precisam escolher oficialmente a qual estado desejam pertencer.
“Que as pessoas decidam se querem fazer parte do Pará ou de Mato Grosso”, declarou o governador em exercício ao comentar o impasse.
A disputa territorial voltou a ganhar força nos bastidores políticos após Mato Grosso reabrir o debate judicial no STF em 2023, questionando novamente a definição de divisas consolidada em decisão da Corte no ano de 2020, quando o Supremo manteve a área sob domínio paraense.
O governo mato-grossense sustenta que houve erro histórico de demarcação ainda em 1922 e afirma possuir documentos cartográficos, laudos técnicos e registros históricos que apontariam inconsistências na definição territorial consolidada ao longo do século passado.
A região contestada possui forte relevância econômica e estratégica. Além do potencial agropecuário e energético, a área abriga milhares de moradores que, segundo lideranças de Mato Grosso, dependem diretamente de serviços públicos ofertados por municípios mato-grossenses.
Pivetta afirmou que Mato Grosso é quem mantém assistência prática à população da região, oferecendo serviços de saúde, estradas, educação e apoio logístico. O governador minimizou ainda as declarações recentes da governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), que afirmou que o estado “não cederá um palmo de terra” ao território mato-grossense.
“Quem atende essa população é Mato Grosso”, reforçou.
O debate sobre um possível plebiscito também ganhou apoio de outras lideranças políticas do estado. O presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), e o deputado Gilberto Cattani (PL) defenderam publicamente que os moradores da região tenham direito de decidir o futuro territorial da área disputada.
O assunto passou a mobilizar prefeitos, parlamentares e representantes do agronegócio. A região concentra produção agropecuária, áreas de preservação, atividades minerais e ativos estratégicos ligados ao setor energético, incluindo influência sobre corredores logísticos do Norte do país.
O caso segue sob relatoria do ministro Flávio Dino no STF. Uma audiência de conciliação entre Mato Grosso e Pará está prevista para os próximos dias e poderá definir os próximos passos da disputa judicial. A possibilidade de consulta popular já foi discutida em reuniões envolvendo parlamentares, prefeitos e representantes dos dois estados.
Enquanto o processo avança em Brasília, a disputa também ganha contornos políticos. Lideranças mato-grossenses passaram a usar o tema como símbolo de defesa territorial e fortalecimento regional, principalmente diante da percepção de abandono enfrentada por moradores da faixa de fronteira administrativa.
A nova ofensiva jurídica e política promete ampliar ainda mais a tensão entre os dois estados nos próximos meses e deve transformar a disputa territorial em um dos principais debates políticos da região Norte e Centro-Oeste em 2026.
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