PL diz não ver dificuldade em dialogar com Mauro Mendes, mas reforça que alianças só ocorrerão para vagas em aberto
Política POR: Redação
POSTADO EM: 05/12/2025
O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, afirmou que o partido não tem dificuldade em dialogar com o governador Mauro Mendes sobre possíveis composições para as eleições de 2026, especialmente na disputa ao Senado. Mesmo assim, reforçou que qualquer acordo só será possível nas vagas que ainda estiverem em aberto dentro do projeto do partido.
A fala ocorre após Mauro defender publicamente a candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta ao governo — movimento que contraria o projeto do PL, que já lançou Wellington Fagundes como pré-candidato ao Executivo estadual.
Segundo Ananias, a política exige negociação e abertura, desde que respeitados os limites ideológicos do campo da direita. Ele afirmou que o partido está consolidado com Fagundes para o governo e com José Medeiros para o Senado, mas lembra que o cenário eleitoral possui outras vagas possíveis de composição.
“Temos disputa de governador, vice, duas vagas de senador e suplências. É um conjunto que pode ser negociado, desde que alinhado ao projeto nacional”, disse. O dirigente destacou ainda que as decisões nacionais do PL influenciarão diretamente as articulações estaduais. “Quem entra numa composição nacional chega com alguns ‘sins’ e alguns ‘nãos’. Mas o PL está focado, fizemos nosso dever de casa e planejamos 2026 com candidatura própria”, afirmou.
A declaração reforça a unidade do partido após o presidente nacional Valdemar da Costa Neto oficializar o apoio à pré-candidatura de Wellington Fagundes ao governo, encerrando rumores de divisão interna envolvendo o nome de Pivetta.
A sinalização de Ananias Filho revela que o PL trabalha para reorganizar o eixo da direita em Mato Grosso sob sua liderança, preservando o protagonismo de Wellington Fagundes enquanto mantém portas entreabertas para Mauro Mendes — não por afinidade, mas por cálculo estratégico. O discurso de “diálogo sem dificuldade” funciona como um gesto de pacificação para a base conservadora, mas, na prática, o partido delimita claramente o terreno: não cederá espaços centrais, apenas composições laterais. Isso evidencia que o PL busca evitar uma ruptura que fragilize o campo bolsonarista no estado, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para 2026 com forte influência da direção nacional, que deve impor amarras e vetos conforme o alinhamento ideológico. O movimento também pressiona Mauro, que, mesmo mantendo Pivetta como opção pessoal, passa a lidar com um PL mais coeso, respaldado por Valdemar da Costa Neto e por Bolsonaro. Em resumo: o PL tenta assumir o papel de fiador do projeto conservador em Mato Grosso, ditando o ritmo das alianças e condicionando qualquer aproximação a seu próprio desenho de poder.
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