Prefeita diz que Câmara bloqueia projetos essenciais e recorre à Justiça para destravar orçamento
Baixada Cuiabana POR: Redação
POSTADO EM: 05/06/2026
A crise política entre a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira, ganhou um novo capítulo e agora avança para o campo judicial. A gestora decidiu recorrer ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso para tentar ampliar a margem de remanejamento orçamentário da Prefeitura, alegando que a limitação imposta pelo Legislativo tem dificultado a execução de políticas públicas e comprometido a continuidade de serviços essenciais à população.
Segundo a prefeita, a administração municipal já consumiu parte significativa da margem autorizada para remanejamentos internos do orçamento e enfrenta dificuldades para realizar ajustes financeiros necessários ao funcionamento da máquina pública. Diante do impasse, o município protocolou uma ação questionando a manutenção do limite de 5% aprovado pela Câmara, defendendo maior flexibilidade para a gestão dos recursos públicos.
Além da disputa jurídica, Flávia endureceu o discurso contra o chefe do Legislativo e afirmou que diversos projetos considerados estratégicos para a cidade estariam sendo impedidos de avançar por decisão da presidência da Câmara. A avaliação da prefeita é que existe maioria suficiente para aprovar matérias enviadas pelo Executivo, mas que a falta de inclusão dos projetos na pauta de votação estaria retardando decisões importantes para o município.
A declaração ocorre poucos dias após a aprovação de um projeto que liberou recursos para a área da Saúde. O texto acabou sendo colocado em votação após pressão de vereadores e foi aprovado por ampla maioria. Para a prefeita, o resultado demonstrou que os projetos da administração possuem respaldo dentro do Legislativo e que o principal obstáculo estaria na condução dos trabalhos da Casa.
Entre as propostas que ainda aguardam análise dos vereadores estão medidas voltadas à reorganização financeira do município, incluindo projetos relacionados ao Departamento de Água e Esgoto (DAE), considerado um dos principais desafios da atual gestão. A Prefeitura argumenta que a demora nas votações compromete a implementação de ações planejadas para melhorar os serviços prestados à população.
O embate entre os dois poderes não é recente. Desde o início do mandato, a relação entre Executivo e Legislativo tem sido marcada por confrontos públicos, trocas de acusações e disputas institucionais. Nos últimos meses, a tensão aumentou após declarações polêmicas envolvendo o presidente da Câmara, que chegaram a motivar representações políticas e ações judiciais movidas pelo grupo político da prefeita.
Em março deste ano, Wanderley Cerqueira se tornou alvo de uma representação por quebra de decoro e de uma queixa-crime após declarações consideradas ofensivas contra a prefeita durante uma sessão legislativa. O episódio provocou repercussão estadual, gerou manifestações de entidades e ampliou o desgaste entre os dois grupos políticos.
Lideranças avaliam que o conflito já ultrapassou divergências administrativas e se transformou em uma disputa de poder que pode influenciar diretamente o cenário eleitoral dos próximos anos. Enquanto a Prefeitura busca garantir maior autonomia financeira para executar seu plano de governo, vereadores da oposição defendem que a fiscalização rigorosa dos gastos públicos é necessária para preservar o equilíbrio das contas municipais.
Com a ação agora nas mãos do Tribunal de Justiça, a expectativa é que uma eventual decisão judicial possa redefinir a relação entre Executivo e Legislativo em Várzea Grande, cidade que acompanha uma das mais intensas disputas políticas de Mato Grosso neste início de gestão.
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